Mais lojas são saqueadas na Venezuela em meio a protestos

Caracas, 14 abr (EFE).- Pelo menos 15 lojas foram saqueadas durante a noite de ontem e a madrugada desta sexta-feira no estado venezuelano de Miranda, informou o governador, o opositor Henrique Capriles, dois dias depois que outras 14 lojas foram depredadas nessa região.

Em declarações na rede social Periscope, Capriles assegurou que padarias, sapatarias, lojas de bebidas, uma fábrica e outros pequenos estabelecimentos foram saqueados por "um grupo orquestrado, promovido pelo governo, sem possibilidade que ninguém reagisse".

O governador indicou que estes "atos de vandalismo foram gravados", aconteceram a "poucos metros" de onde estavam dezenas de agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) que "não fizeram nada", e buscam desvirtuar os protestos antigovernamentais dos últimos dias.

O opositor afirmou ainda que estes saques, bem como as "atuações repressivas selvagens", são "ordenados diretamente" pelo ministro de Interior e Justiça, Néstor Reverol, que já acusou Capriles publicamente de promover "atos terroristas", em alusão à violência desatada durante os recentes protestos.

"O instável Reverol será acusado em instâncias internacionais, já é investigado pela DEA (agência de repressão e controle de narcóticos dos Estados Unidos) por vínculos com o narcotráfico", acrescentou o governador.

No entanto, o prefeito de tal jurisdição, o chavista Francisco Garcés, publicou no Twitter quatro fotografias que mostravam alguns danos causados em uma passarela e cerca de 20 encapuzados que queimaram pneus para interromper a passagem dos veículos.

"Espero que quem convocou uma marcha sem permissão hoje em Los Teques se pronuncie perante estes fatos e responda por bens municipais", declarou Garcés na legenda dessas imagens registradas na quinta-feira.

Na terça-feira passada, pelo menos 14 lojas foram depredadas na cidade venezuelana de Guarenas, depois de que um grupo de pessoas invadiu um shopping da região e saqueou os estabelecimentos.

Segundo constatou a Efe, uma sapataria, uma joalheria, salões de beleza e uma agência de loteria do Centro Comercial Miranda foram alguns dos locais mais afetados.

Os protestos antigovernamentais na Venezuela, que pedem eleições e a remoção de sete magistrados do Tribunal Supremo a quem acusam de ter dado um "golpe de Estado", completaram duas semanas e deixaram pelo menos seis mortos, 100 detidos e centenas de feridos, segundo o balanço da oposição. EFE