Investigadores russos prendem 6 suspeitos de terrorismo, sem ligação comprovada com ataque

Por Polina Nikolskaya
Flores e fotos na frente da estação de metrô Spasskaya, em São Petersburgo, na Rússia. 03/03/2017 REUTERS/Grigory Dukor

Por Polina Nikolskaya

SÃO PETERSBURGO (Reuters) - Seis pessoas originárias da Ásia Central foram detidas por autoridades russas por suspeita de recrutamento para grupos islâmicos radicais, mas não há provas que as liguem ao ataque com bomba que deixou 14 mortos no metrô de São Petersburgo esta semana, disseram investigadores nesta quarta-feira.

Os investigadores federais russos disseram que o principal suspeito do ataque de segunda-feira, que deixou 14 mortos e 50 feridos, é Akbarzhon Jalilov, nascido em 1995 no Quirguistão, Estado de maioria muçulmana da Ásia Central. Ele morreu na explosão.

O comitê investigativo estatal da Rússia informou que os detidos nesta quarta foram acusados de auxiliar atividades terroristas. Eles estavam envolvidos no recrutamento de outros imigrantes da Ásia Central para o Estado Islâmico e outro movimento islâmico, a antiga Frente Al-Nusra, desde novembro de 2015, disse o comunicado do comitê.

Exemplares de literatura islâmica extremista foram encontrados durante uma busca nas moradias dos detidos, acrescentou o comunicado. Mas o comitê acrescentou: "No momento não há indícios de que os detidos estavam de alguma maneira ligados a, ou que conheciam, o perpetrador do ataque terrorista no metrô de São Petersburgo".

Há centenas de milhares de emigrados da Ásia Central morando e trabalhando na Rússia. Eles criam um terreno fértil para o recrutamento para movimentos islâmicos radicais, de acordo com muitos especialistas em segurança.

Os pais de Jalilov, que disseram que não viam o filho há algum tempo, devem voar a São Petersburgo nesta quarta-feira, e uma testemunha da Reuters presente no aeroporto de Pulkovo relatou uma segurança reforçada no local.

Um homem e uma mulher de meia idade foram escoltados depois da chegada do voo, disse o repórter da Reuters. As autoridades se recusaram a confirmar se os dois eram os pais de Jalilov, mas a mulher, respondendo à pergunta de um repórter da televisão russa, disse não acreditar que seu filho era o agressor.

Enquanto isso as autoridades vêm intensificando a segurança nas grandes cidades, e cães farejadores e verificações de bagagem estão sendo usados em várias estações de metrô de Moscou.

O presidente russo, Vladimir Putin, abordou o atentado durante uma reunião já marcada na capital com chefes dos serviços de segurança de ex-repúblicas soviéticas.

"Vemos que, infelizmente, a situação não está melhorando, e a confirmação mais clara disso é o incidente trágico recente m São Petersburgo", disse Putin. "Pessoas morreram em resultado de um ato terrorista, muitas ficaram feridas".

(Reportagem adicional de Maria Kiselyova e Denis Dyomkin)