Investigados por ligação com milícia não conseguem se eleger no Rio

Rafael Soares
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Foto: Brenno Carvalho em 5-4-2018/ Agência O Globo
Foto: Brenno Carvalho em 5-4-2018/ Agência O Globo

RIO — Investigados por ligação com a milícia não conseguiram se eleger no Rio em 2020. Daniel Carvalho (PTC), filho de miliciano condenado, o ex-vereador Luiz André Ferreira da Silva, recebeu apenas 1.480 votos. Já Jair Barbosa Tavares, o Zico Bacana (Podemos), obteve mais de 11 mil votos, mas o número não foi suficiente para se reeleger. Ele ficou com uma vaga de suplente. Zico foi alvo de um atentado no último dia 2. A polícia investiga se o crime foi motivado por uma disputa entre milicianos e traficantes.

Carminha Jerominho (PMB), filha de Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, condenado por chefiar a maior milícia do Rio, também não conseguiu uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio. Ela obteve pouco mais de 4 mil votos. Essa é a segunda vez que Carminha — que é alvo de investigações da polícia por conexão com a milicia — falha ao tentar voltar ao cargo: em 2012, ela se candidatou e também não conseguiu ser eleita.

Em 2008, Carminha conseguiu se eleger mesmo estando presa após ser acusada de usar a milícia para coagir eleitores na Zona Oeste. A filha de Jerominho estava dentro da penitenciária federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, quando saiu o resultado da eleição. Um ano depois da prisão e de ser eleita, a herdeira do clã foi cassada por arrecadação irregular de verba, mas voltou ao cargo em 2011 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Na semana passada, a campanha de Carminha foi alvo de uma operação da Polícia Federal que mirou comitês de campanhas e empresas ligadas à prática de lavagem de dinheiro conexos a crimes eleitorais na Zona Oeste do Rio. Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão nas residências de Jerominho e seu irmão, José Guimarães Natalino — ambos soltos desde o ano passado, após de passarem mais de dez anos na cadeia.