Investigar Biden importava mais a Trump do que situação na Ucrânia, diz testemunha no Congresso

O embaixador interino dos Estados Unidos na Ucrânia, William Taylor, depõe no Congresso americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a um diplomata este ano que "lhe importava mais" que Kiev investigasse seu adversário democrata Joe Biden do que a situação na Ucrânia - relatou uma testemunha sabatinada no Congresso americano nesta quarta-feira (13).

Segundo depoimento do embaixador americano interino na Ucrânia, William Taylor, na audiência pública de hoje, o embaixador de Washington na União Europeia, Gordon Sondland, disse a ele, em 26 de julho, pouco depois de falar com o presidente, que "para Trump, importava mais a investigação de Biden" do que a Ucrânia em si.

O Congresso dos Estados Unidos iniciou hoje uma série de audiências públicas sobre a investigação para um eventual julgamento político de Trump, acusado pela oposição democrata de abuso de poder para benefícios políticos.

Em depoimentos televisionados, Taylor e o secretário de Estado adjunto para Assuntos Europeus e Eurásia, George Kent, testemunham perante o Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes, no que é esperado ser um confronto feroz entre os democratas e os apoiadores republicanos de Trump.

"As principais interrogações da investigação - se Trump abusou do poder de seu cargo e se essas ações merecem um julgamento político - devem ser feitas sem rancor, se possível, sem demora, de todos os modos, e sem favorecimento ou preconceito do partido, se formos fiéis às nossas responsabilidades", enfatizou o presidente do Comitê, o democrata Adam Schiff.

Em declaração na abertura destas históricas audiências, Devin Nunes, principal congressista republicano no Comitê, denunciou o processo como uma "campanha de difamação midiática cuidadosamente orquestrada".

É parte "de uma operação de três anos levada adiante pelos democratas, a mídia corrupta e os burocratas partidaristas para anular os resultados das eleições de 2016", afirmou Nunes.

De acordo com a porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, o presidente Trump não está acompanhando as audiências televisionadas.

"Ele tem reuniões no Salão Oval. Ele não está vendo. Ele está trabalhando", afirmou.

O próprio Trump disse estar "ocupado demais" para assistir às audiências pela televisão.

"Estou ocupado demais para vê-las", desconversou, acrescentando que "é uma caça às bruxas".