Investimento estrangeiro em Bolsa cai 77% em julho com cenário instável no Brasil

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019: Cédulas de euro, moeda estrangeira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 24.01.2019: Cédulas de euro, moeda estrangeira. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O volume aplicado por estrangeiros no mercado de ações, fundos de investimento e títulos públicos brasileiros somou US$ 1,2 bilhão em julho, redução de 77% em relação ao mês anterior. Os dados foram divulgados pelo BC (Banco Central) nesta quarta-feira (25).

O mês foi marcado por volatilidade na B3 (Bolsa de Valores brasileira), com a ameaça da variante Delta do coronavírus, crise hídrica e inflação em alta.

No período, os investidores estrangeiros preferiram papéis mais seguros e retiraram US$ 728 milhões de ações e fundos de investimentos. A saída foi compensada pela entrada líquida de US$ 1,9 bilhão em títulos públicos.

"Apesar de mais baixo, o investimento em portfólio tem mantido a trajetória de ingressos líquidos. É importante lembrar que nos 12 meses anteriores houve uma saída muito forte causada principalmente pela pandemia em março, abril e maio", ponderou o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Em agosto, o cenário se deteriorou ainda mais com ruídos fiscais. Dúvidas em relação ao custeio do novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, e ao pagamento de precatórios (dívidas do governo na Justiça) provocaram alta volatilidade no mercado.

Dados parciais do BC até a última sexta-feira (20) mostram que os investidores estrangeiros aplicaram US$ 444 milhões no mercado doméstico.

Em relação a julho do ano passado, no entanto, houve crescimento de 33%, quando foram aplicados US$ 885,4 milhões. Em 12 meses, houve ingresso líquido de US$ 44,9 bilhões.

"Esses US$ 44,9 bilhões se destinam a repor a exposição dos estrangeiros no mercado doméstico, mas já supera a queda do ano passado", destaca Rocha.

Em maio e junho, os investimentos deste tipo foram significativos, com US$ 5,9 bilhões e US$ 5,1 bilhões, respectivamente.

Em março do ano passado, quando o vírus chegou ao país, os estrangeiros retiraram US$ 22 bilhões do mercado de títulos brasileiro, que registrou resultados negativos até maio.

Esse tipo de investimento normalmente apresenta queda em meses mais turbulentos porque é muito sensível a crises momentâneas e ruídos.

Após registrar o menor resultado em cinco anos em junho (US$ 174 milhões), os investimentos diretos mostraram recuperação e somaram US$ 6,1 bilhões em julho. Para o mês, o número foi o maior desde 2014.

Nos 12 meses, a modalidade totalizou US$ 47,5 bilhões, o equivalente a 3,04% do PIB (Produto Interno Bruto).

Diferentemente das aplicações em ações e títulos públicos, os investimentos diretos no país são feitos por empresas que estabelecem um relacionamento de médio e longo prazo com o país e são menos voláteis por envolver decisões mais duradouras.

De acordo com dados preliminares de agosto, foram aportados US$ 4,17 bilhões no período. O BC estima que o mês encerre com ingresso de US$ 5,8 bilhões.

Segundo Rocha, a maior parte do investimento direto em julho foi feita por meio de participação no capital, quando a matriz estrangeira injeta recursos em troca de uma fatia da empresa brasileira. Na modalidade, a remuneração para a companhia investidora é feita a partir da distribuição de lucros.

Já os empréstimos intercompanhia, quando a matriz concede crédito à empresa brasileira, caíram no mês. Nesse caso, o retorno da companhia estrangeira é feito com pagamento de parcelas fixas em um prazo determinado, com juros.

"A escolha da modalidade depende da exposição que o investidor que ter no balanço da empresa. Não dá pra dizer que é uma tendência, mas a participação no capital vem aumentando e o empréstimo intercompanhia caindo em relação a períodos anteriores", disse o técnico do BC.

O ingresso dessas aplicações no país foi impactado pela pandemia. Com a crise, esses investimentos despencaram em 2020. Em comparação ao ano anterior, o volume de aplicações caiu pela metade. Ao todo, foram aportados US$ 34,1 bilhões no país no período, contra US$ 69,1 bilhões no ano anterior. O número foi o menor desde 2009, quando foram investidos US$ 31,4 bilhões.

De acordo com o BC, em julho as contas externas tiveram déficit de US$ 1,6 bilhão, ante déficit de US$ 600 milhões no mesmo período de 2020. Nos 12 meses, o resultado foi negativo em US$ 20,3 bilhões.

A projeção do BC para agosto é de superávit de US$ 1,1 bilhão em transações correntes.

A balança comercial registrou superávit de US$ 6,3 bilhões em julho.

As exportações ficaram em US$ 25,8 bilhões no mês, aumento de 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações somaram US$ 19,5 bilhões, alta 49,9% na mesma base de comparação.

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