Investimento estrangeiro na América Latina caiu 34,7% em 2020

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Comerciante conta notas de dólares americanos e bolívares locais em uma rua comercial da capital venezuelana Caracas

O investimento estrangeiro direto (IED) na América Latina caiu 34,7% em 2020, sendo a pior entrada de capital desde 2010, como resultado da pandemia do coronavírus, informou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

A região foi "uma das mais afetadas no mundo", afirmou o organismo em seu relatório, no qual registrou uma redução de US $ 56 bilhões em relação a 2019.

"Estamos falando de uma grande queda, tendência que já vinha diminuindo desde 2013", disse a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, durante a apresentação do relatório.

No total, 105,4 bilhões de dólares em IED entraram na América Latina em 2020, o que "representa um segundo ano consecutivo de queda", segundo o relatório, devido à "estagnação" das entradas de investimentos observada desde 2010.

O declínio em 2020 só é comparável ao de 2009 no contexto da crise econômica global.

Apenas cinco países da região aumentaram a entrada de capital estrangeiro em 2020: Bahamas e Barbados no Caribe; Equador e Paraguai na América do Sul; e México.

"O México passa a ser o segundo receptor de investimento estrangeiro direto depois do Brasil. O Brasil continua o primeiro, mas neste caso teve uma queda acentuada de 35,4%, e isso pesa muito na média regional", disse Bárcena.

O IED na América Central caiu 89,4%, na América do Sul caiu 40,4% e no Caribe diminuiu 25,5%.

"Num momento em que a região necessita de investimentos que lhe permitam caminhar para uma recuperação sustentável e o investimento estrangeiro poderia desempenhar um papel favorável, os investimentos das transnacionais reduziram", destaca o relatório da Cepal.

Em termos setoriais, a maior redução do IED foi em recursos naturais, com decréscimo de 47,9% face a 2019. Segue-se a indústria manufatureira (-37,8%) e serviços (-11%).

A origem do capital estrangeiro continua a ser principalmente da Europa, embora tenha passado de quase metade em 2019 para 38%; enquanto os Estados Unidos aumentaram sua participação em 10 pontos percentuais, respondendo por 37% do fluxo de capitais para a América Latina.

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