Ipês e muito mais: projeto cataloga árvores de Niterói

Priscilla Aguiar Litwak
·2 minuto de leitura

NITERÓI — Conhecidas como as flores que colorem os dias frios de outono e inverno, os ipês logo logo começam a desabrochar e a mudar a paisagem da cidade. O espetáculo começa com os ipês-rosas, os primeiros a florescerem. Em Niterói há pelo menos 827 deles, com destaque para a suntuosa versão na Praça da República, no Centro. Dos amarelos são outros 663 ipês. Eles estão entre as mais de 23 mil árvores catalogadas em 29 bairros de Niterói, o que representa mais da metade de toda a área urbana da cidade.

A conquista foi possível com o Arboribus, um projeto censitário da flora urbana da cidade em vias públicas e praças. A iniciativa já contemplou regiões como Barreto, Boa Viagem, Centro, Charitas, Santa Rosa, Icaraí e São Domingos. Atualmente, o levantamento para cadastro das árvores acontece em Camboinhas. Badu, Sapê, Vila Progresso, Matapaca e Maria Paula serão as próximas áreas.

O Arboribus foi iniciado em 2014, mas só recentemente recebeu uma guinada no número de árvores cadastradas. Passou de pouco mais de dez mil em 2019 para 23.771 este ano. Coordenado pela Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), o programa registra informações como saúde da árvore, estatura, nomes populares e científicos e o endereço onde ela está localizada. Os dados levantados são processados e convertidos ao formato do banco de dados específico da prefeitura, no Sistema de Gestão da Geoinformação (SIGeo) e ficam disponíveis para consulta no site sigeo.niteroi.rj.gov.br.

A secretária municipal de Conservação e Serviços Públicos, Dayse Monassa, ressalta que as árvores também são catalogadas pelo tempo de existência, o que permite saber como elas estão se desenvolvendo. Dayse enfatiza, ainda, que dentro do conjunto de características que a árvore apresenta, ela é avaliada quanto ao risco de acidentes. A base das informações se dá por meio de vistorias no local feitas pelas equipes. Cada árvore classificada sob o rótulo urgência, por exemplo, é abrangida pelo programa de protocolo de segurança, que age no intuito de evitar acidentes e perdas para a cidade.

— Este projeto realiza a integração entre o social e o ambiental. Com isso, preservamos e ampliamos a arborização urbana e, consequentemente, melhoramos a qualidade do ar e a qualidade de vida do niteroiense. A ideia é mapear todas as árvores da cidade — diz.

O biólogo Emmanoel Ribeiro destaca ainda que o programa é importante para ilustrar o quão rico é o patrimônio arbóreo de Niterói, além de fornecer a garantia de que cada vez que são plantadas novas árvores essa beleza vá continuar se renovando e existindo na cidade.

— Vemos o quanto é necessário zelar por essas preciosidades e onde e como podemos agregar mais valor a esse patrimônio. Esses dados podem contribuir para estudos sobre temas ambientais e sociais. Com o sistema, é possível saber, por exemplo, que 326 árvores catalogadas da cidade são da espécie pau-brasil, árvore tão cobiçada no passado pela sua madeira de lei — diz.