IPCA: Brasil tem deflação pela primeira vez em dois anos

Brasil teve deflação pela primeira vez desde 2020
Brasil teve deflação pela primeira vez desde 2020

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, teve queda de 0,68% em julho após registrar alta 0,67% em junho, segundo divulgou nesta terça-feira (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Assim, o Brasil registrou uma deflação pela primeira vez em mais de dois anos.

Segundo o IBGE, foi a menor taxa registrada desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 1980.

No ano, a inflação acumulada é de 4,77%. No acumulado de 12 meses a taxa está em 10,07%.

Expectativa de analistas

Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam deflação de 0,65% em julho deste ano. O IPCA havia subido 0,67% em junho.

Mesmo com a trégua, o índice de inflação ainda acumula alta de 10,07% em 12 meses, segundo os dados até julho. Nessa base de comparação, o avanço havia sido de 11,89% até o mês anterior.

O IPCA elevado às vésperas das eleições pressiona o governo Jair Bolsonaro (PL), que teme os efeitos da perda do poder de compra dos brasileiros.

A inflação é vista por membros da campanha do presidente como principal obstáculo para a reeleição dele. Para tentar reduzir os danos, o Planalto aposta no corte de tributos.

Em junho, Bolsonaro sancionou projeto que definiu teto para a cobrança de ICMS (imposto estadual) sobre combustíveis, energia, transporte e telecomunicações.

Um dos reflexos da medida foi a queda dos preços da gasolina nos postos ao longo das últimas semanas. O combustível é o subitem com maior peso na composição do IPCA.

Com o corte de impostos, analistas vêm reduzindo as projeções para a inflação no acumulado de 2022.

A estimativa do mercado financeiro recuou para alta de 7,11%, de acordo com a mediana do boletim Focus, divulgado na segunda-feira (8) pelo BC (Banco Central).

O efeito colateral tem sido o aumento das projeções para 2023. Segundo o Focus, a alta prevista para o próximo ano subiu para 5,36%.

De acordo com analistas, a perda de receitas com tributos traz riscos para o quadro fiscal, com possíveis impactos negativos sobre a inflação mais à frente.

Para tentar conter a carestia, o BC vem subindo os juros, o que desafia a recuperação do consumo das famílias e encarece os investimentos produtivos de empresas.

Em 2022, o centro da medida de referência é de 3,50%. O teto é de 5%.

Disparada na pandemia A inflação voltou a assustar os brasileiros devido a uma combinação de fatores ao longo da pandemia.

Houve aumentos em preços administrados, como combustíveis e energia elétrica, além de carestia de alimentos e ruptura de cadeias globais de insumos da indústria.

A pressão inflacionária no Brasil foi intensificada pela desvalorização do real em meio a turbulências na área política.

No primeiro semestre de 2022, houve o impacto adicional da Guerra da Ucrânia. O conflito pressionou ainda mais o petróleo e parte das commodities agrícolas no mercado internacional. Recentemente, esses produtos deram sinais de trégua com o temor de uma recessão global.