IPCA volta a subir em outubro, após três meses de deflação

Depois de três meses de deflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial do país, registrou alta de 0,59% em outubro. Alimentos, transporte e saúde foram os responsáveis pela virada, especialmente devido ao preço da batata e tomate, passagens aéreas e reajuste dos planos de saúde.

No ano, o IPCA acumula 4,70%. Em 12 meses, 6,47% - o menor acumulado desde outubro de 2021. Até julho de 2022 a variação ficou na casa dos dois dígitos, e depois começou a desacelerar.

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A projeção do mercado era de 0,48%, segundo analistas ouvidos pela Reuters.

A alta foi puxada pelos alimentos e bebidas, com crescimento de 0,72%., e passagem aérea. O grupo Vestuário também influenciou, registrando, 1,22%. Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta no mês.

Entre as quedas, os principais foram o leite longa vida (-6,32%), que já havia recuado 13,71% em setembro, e o óleo de soja (-2,85%).

"Há um claro contraste, porque alimentação e transportes, os dois grupos de maior peso, tiveram variação negativa em setembro e altas em outubro", explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Com o índice voltando a subir, aumenta a pressão para que a Selic seja mantida em 13,75% até o fim do ano. Nas últimas duas semanas, analistas de mercado voltaram a elevar suas expectativas de inflação para 2022. A previsão é de 5,63%, mais baixa que no início do ano mas ainda acima da meta do Banco Central, de 3,5%, com variação de um ponto percentual para cima ou para baixo.

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Com a alta do índice em outubro, o Brasil encerra o período de três meses de deflação. Ela acontece quando a cesta de produtos analisada pelo IBGE registra um preço menor em um mês, em relação ao mês anterior. Em setembro, isso aconteceu principalmente devido à redução nos preços dos combustíveis, com o corte do ICMS sobre esses produtos. Em julho e agosto, o índice também caiu.