Iphan tem nova presidente, após cargo ficar vago durante cinco meses

Nelson Gobbi
Profetas de Aleijadinho no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG), tombado pelo Iphan como patrimônio histórico

RIO Após cinco meses sem titular, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) tem nova presidente, Larissa Peixoto, que teve sua nomeação publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira. Larissa é servidora do Ministério do Turismo, ao qual o Instituto está subordinado, através da Secretaria Especial de Cultura. A portaria foi assinada por Walter Braga Netto, ministro da Casa Civil.

Larissa ocupava a direção do departamento de desenvolvimento produtivo da Secretaria Nacional de Integração Interinstitucional, subordinado ao Turismo. Em uma postagem de uma rede social da pasta, Larissa aparece como servidora do Ministério há 11 anos. Segundo informações da pasta, ela atuou na formatação do Programa Revive no Brasil, uma parceria com o Ministério da Economia de Portugal para a recuperação de patrimônios históricos e culturais e seu aproveitamento para fins turísticos, assinada no mês de março.

Desde a exoneração de Kátia Bogéa pelo então secretário de Cultura, Roberto Alvim, o Iphan ficou com a presidência vaga. A arquiteta Luciana Rocha Feres chegou a ser nomeada para o cargo, mas a portaria foi cancelada no dia seguinte. Kátia Bogéa ocupou a presidência do Insituto entre 2016 e 2019.

Após a indicação de Luciana, o nome do arquiteto mineiro Flávio de Paula Moura foi cogitado para o cargo, mas seu nome nunca foi confirmado no Diário Oficial. Na época, especilistas em patrimônio fizeram ressalvas à possível nomeação pela falta de experiência na área.

Desde o ano passado, várias nomeações para o Iphan geraram controvérsias entre especialistas da área e entidades como o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), além de suspeita de indicações políticas. Entre setembro e outubro, Jeyson Dias Cabral da Silva, que Silva exercia o cargo de assessor legislativo na Câmara Municipal de Juiz de Fora, onde também atuou como cinegrafista, foi nomeado superintendente em Minas Gerais, estado com o maior número de bens tombados no país, mas sua indicação foi revogada três semanas depois. Outras indicações foram contestadas em Goiás, Parané e no Distrito Federal.

No dia 17 do mês passado, a blogueira de viagens Monique Aguiar foi nomeada pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, para um cargo de coordenação do Iphan no estado do Rio. Ao rebater as críticas a sua qualificação em seu perfil no Facebook, Monique escreveu: "Além de turismóloga, sou atriz".

No dia 1º de maio, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), que é vinculada ao Ministério Público Federal (MPF), solicitou que o Iphan envie informações sobre as credenciais de inicados para assumir cargos de superintendência no órgão.