IPTU e IPVA: veja quando é melhor pagar à vista com desconto ou parcelar

Stephanie Tondo
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Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

O início do ano chega sempre com muitas despesas extras, e uma das dúvidas mais comuns dos contribuintes é se vale mais à pena pagar os impostos à vista, aproveitando os descontos oferecidos, ou parcelar, e diluir os gastos ao longo dos próximos meses. Para os economistas e planejadores financeiros, há vários pontos a serem considerados nesse cálculo. No entanto, em geral, vale a seguinte regra: se tem dinheiro, pague à vista; se não tem, parcele.

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2021, arrecadado pelo estado do Rio, seguirá o modelo dos últimos anos e poderá ser pago em cota única, com desconto de 3%, ou em três vezes, sem o abatimento.

Já o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), arrecadado pelo município do Rio, terá desconto de 7% para o pagamento à vista, ou poderá ser parcelado em até 10 vezes.

Professora de Finanças da FGV e planejadora financeira, Myrian Lund observa que o abatimento de 7% para a cota única do IPTU é significativo.

— Se a pessoa optar por pagar parcelado, é como se estivesse pegando um empréstimo e pagando 1,65% ao mês. Então, se tem dinheiro, o melhor é pagar à vista, porque nenhuma aplicação hoje está dando esse rendimento mensal. Além disso, frente aos empréstimos que a gente tem aí, esse parcelamento é barato, então vale mais a pena do que pegar crédito para pagar o imposto — afirma.

Já com relação ao IPVA, apesar de o desconto ser de apenas 3%, a taxa de juros equivalente para o pagamento parcelado é ainda maior: de 3,12% ao mês, já que o governo permite dividir o valor em apenas três vezes. Ou seja, nesse caso é ainda mais vantajoso optar pela cota única.

Há casos em que, mesmo tendo dinheiro para pagar o imposto à vista, o contribuinte prefere parcelar o valor, enquanto deixa os recursos investidos. No entanto, Filipe Pires, coordenador do MBA em Finanças do Ibmec/RJ, aponta que atualmente os fundos de baixo risco não conseguem ter uma rentabilidade que compense esse tipo de estratégia.

Para efeitos de comparação, o economista utiliza como base um rendimento de 100% do CDI, que corresponde a 1,9% ao ano, e é o que pagam hoje a maior parte das contas digitais de fintechs, por exemplo. Já a poupança, que rendeu 2,11% em 2020, deve pagar apenas 1,4% nos próximos 12 meses, caso a Selic de 2% ao ano fique em vigor ao longo de 2021. O rendimento da poupança é de 70% da taxa básica de juros.

— Para valer à pena parcelar, a remuneração desse meu capital que vai ficar rendendo enquanto eu pago as parcelas teria que ser maior do que o desconto dado no pagamento à vista.

Segundo cálculos do professor, o desconto de 3% no IPVA equivale a um rendimento de 0,74% no mês ou 9,27% no ano, o que equivale a 488% do CDI. Já o abatimento de 7% na cota única do IPTU corresponde a uma rentabilidade de 0,62% ao mês ou 7,66% ao ano, o que significa um rendimento de 403% do CDI.

— Não existe produto de renda fixa hoje, com baixo risco, que remunere a 400% do CDI — afirma Pires, concluindo que vale mais a pena pagar o imposto à vista para aproveitar o desconto.

Contudo, o professor ressalta que a premissa vale apenas para o cidadão que tem dinheiro em caixa para pagar os tributos de uma só vez, sem comprometer seu orçamento e sem precisar fazer dívidas.

A planejadora financeira Paula Sauer também aponta que, neste ano, não compensa aplicar o dinheiro e pagar o tributo parceladamente.

— Em um cenário de Selic a 2% ao ano, os descontos para pagamento à vista dos dois tributos são sem dúvida uma boa economia, pois no cenário atual nenhum investimento conservador, seja caderneta de poupança, CDB ou fundo de investimento concederá a mesma rentabilidade no período — afirma.