Irã anuncia desenvolvimento de míssil balístico hipersônico

O Irã desenvolveu um míssil balístico hipersônico com capacidade para penetrar em todos os sistemas de defesa – anunciou o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, general Amirali Hajizadeh, nesta quinta-feira (10).

"Este míssil balístico hipersônico pode contra-atacar os escudos de defesa antiaérea. Poderá atravessar todos os sistemas de defesa antimísseis", afirmou o general, citado pela agência de notícias Fars.

Um míssil hipersônico atinge velocidades superiores a Mach 5 (cinco vezes a velocidade do som), a quase 6.000 km/h.

De acordo com o comandante militar iraniano, "este míssil, que tem como alvo os sistemas antimísseis inimigos, representa um grande salto de geração na área dos mísseis".

Os mísseis hipersônicos representam desafios para os desenvolvedores de radares por sua velocidade elevada e capacidade de movimento.

O anúncio foi feito depois que o Irã admitiu, no sábado, que enviou drones para a Rússia. Isso teria acontecido antes da guerra da Ucrânia.

O jornal americano The Washington Post afirmou, em 16 de de outubro, que o Irã se preparava para enviar mísseis à Rússia, mas Teerã respondeu que a informação era "completamente falsa".

Ao contrário dos mísseis balísticos, os mísseis hipersônicos voam a baixa altitude, com o objetivo de atingir alvos de maneira mais rápida.

Vários países tentam desenvolver este tipo de armamento. Rússia, Coreia do Norte e Estados Unidos anunciaram testes em 2021, o que provocou os temores de uma nova corrida armamentista.

A Rússia tem vantagem neste setor, com vários tipos desses mísseis. Em agosto, anunciou a presença de aviões equipados com estas armas hipersônicas em Kaliningrado, um enclave russo cercado por países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no nordeste da Europa.

Irã e Rússia são alvos de sanções: o Irã, desde que os Estados Unidos saíram de maneira unilateral do acordo nuclear de 2015 entre Teerã e as potências mundiais; e a Rússia, desde que invadiu a Ucrânia em fevereiro.

Os dois países responderam às sanções com o aumento da cooperação em áreas cruciais para apoiar suas economias.

- Incógnita -

Um míssil hipersônico é manobrável, o que dificulta seu monitoramento e a defesa.

Enquanto países como os Estados Unidos desenvolvem sistemas projetados para a defesa dos mísseis balísticos e de cruzeiro, a capacidade de rastrear e derrubar um míssil hipersônico continua sendo uma incógnita.

O anúncio do Irã acontece em um momento de estagnação das negociações para reativar o acordo nuclear de 2015.

O acordo assinado com seis grandes potências – Grã-Bretanha, China, França, Alemanha, Rússia e Estados Unidos – concedia ao Irã um grande alívio das sanções em troca de garantias de que o país não desenvolveria uma arma atômica. Teerã sempre negou o desejo de fabricar uma arma nuclear.

O pacto foi rompido após a saída unilateral dos Estados Unidos em 2018, durante o governo do presidente Donald Trump.

O anúncio também foi feito poucos dias após o Irã revelar um voo de teste de um foguete com satélite.

O governo dos Estados Unidos expressou diversas vezes a preocupação de que os lançamentos possam impulsionar a tecnologia de mísseis balísticos do Irã, com a possível ampliação para ogivas nucleares.

Em março, o governo americano adotou sanções contra atividades relacionadas aos mísseis de Teerã.

O Irã, abalado por dois meses de manifestações após a morte, em 16 de setembro, de Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana detida pela polícia da moralidade, acusa seus "inimigos", em particular os Estados Unidos, de tentativa de desestabilizar o país.

Nesta quarta-feira, o Irã alertou os países da região, em particular a Arábia Saudita, que responderia a qualquer ação que pretenda desestabilizar a República Islâmica.

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