Irã avança em pesquisa para produzir urânio metálico

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Um inspetor da Agência Internacional de Energia Atômica na usina nuclear de Natanz, cerca de 300 km ao sul de Teerã, Irã, 20 de janeiro de 2014

O Irã informou nesta quarta-feira (13) à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que está avançando nas pesquisas para a produção de urânio metálico, o que contraria as restrições impostas à República Islâmica no acordo sobre o programa nuclear iraniano de 2015.

A AIEA, com sede em Viena, anunciou em um comunicado que "o Irã informou à agência em uma carta de 13 de janeiro que 'já começou a modificação e instalação de equipamentos importantes para atividades de pesquisa e desenvolvimento'" em uma fábrica em Isfahan.

A pesquisa buscaria encontrar combustível avançado para um reator de pesquisa de Teerã.

"O urânio natural será usado para produzir urânio metálico em um primeiro estágio", disse o embaixador iraniano na ONU, Kazem Gharib Abadi, em um tuíte.

O assunto é delicado porque o urânio metálico pode ser usado como um componente de armas nucleares, e o acordo de 2015 inclui a proibição de "produzir ou comprar plutônio ou urânio metálico".

Após 10 anos, o Irã poderia começar a pesquisar como produzir combustível à base de urânio metálico "em pequenas quantidades acordadas", mas somente se os outros termos do acordo fossem cumpridos.

Em 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou seu país do acordo e restaurou as sanções econômicas contra o Irã.

No ano seguinte, Teerã anunciou que passaria a ignorar alguns limites que o acordo impunha à sua atividade nuclear. Assim, passou a armazenar urânio enriquecido em níveis superiores aos permitidos, enriqueceu o urânio acima dos limites permitidos e utilizou centrífugas mais avançadas do que as permitidas pelo pacto.

Após o assassinato em novembro do físico nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh (do qual o governo iraniano acusa Israel), o Parlamento iraniano aprovou uma lei controversa exigindo aumento da atividade nuclear e o fim das inspeções da AIEA.

A lei também exigia que a Organização de Energia Atômica do Irã tivesse "um local de produção de urânio metálico" dentro de cinco meses.

O Irã garante que mais uma vez cumprirá as obrigações do pacto se os Estados Unidos suspenderem as sanções e assinarem novamente o acordo.

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