Irã coloca em risco o sucesso das negociações nucleares de Viena (países europeus)

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Uma bandeira iraniana hasteada em frente à usina nuclear Busher, em 10 de novembro de 2019, durante a cerimônia de inauguração de seu segundo reator

Os países europeus expressaram "grande preocupação" nesta terça-feira(6), depois que o Irã anunciou que aumentará o grau de enriquecimento de urânio, alegando que isso prejudica as negociações de Viena com o objetivo de resgatar o acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano.

"Com seus últimos passos, o Irã está ameaçando um desfecho bem-sucedido das negociações de Viena, apesar do progresso feito nas seis rodadas de negociações até agora", disseram em comunicado os ministérios das Relações Exteriores da França, Reino Unido e Alemanha.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicou pouco antes que o Irã pretende "produzir urânio metálico com uma taxa de enriquecimento de 20%".

Teerã, que cancelou seus compromissos depois que os Estados Unidos se retiraram do pacto em 2018, iniciou a produção de urânio metálico para fins de pesquisa em fevereiro, uma questão delicada já que esse elemento pode ser usado para fabricar armas nucleares.

O Irã agora quer passar para um nível mais alto de enriquecimento, "um processo de várias etapas" que ocorrerá em sua fábrica em Isfahan (centro), de acordo com o comunicado da AIEA enviado à AFP. Seu objetivo é "fabricar combustível" para alimentar o reator de pesquisa do Teerã.

“O Irã não tem nenhuma necessidade civil crível de continuar sua produção ou atividades de urânio metálico, que constituem uma etapa-chave no desenvolvimento de uma arma nuclear”, estimam os europeus no comunicado.

O diretor-geral desse órgão da ONU, Rafael Grossi, informou os países membros dessa novidade, que se dá em um contexto complicado.

As negociações de Viena, iniciadas em abril, estão paralisadas e, segundo um diplomata europeu consultado pela AFP, "não serão retomadas esta semana".

Essas discussões buscam devolver os Estados Unidos ao acordo fechado em 2015 na capital austríaca e acontecem semanas antes da chegada do novo presidente iraniano, Ebrahim Raisi, em agosto.

O pacto concedeu ao Irã um alívio das sanções do Ocidente e da ONU em troca do compromisso de não fabricar uma bomba atômica e reduzir seu programa nuclear.

Mas a decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar seu país e impor novamente as sanções, minou o plano. Teerã então desistiu da maioria de seus compromissos.

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