Irã condena à morte mais 3 manifestantes após caso Mahsa Amini e reforça repressão

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça do Irã sentenciou à morte nesta terça-feira (15) mais três manifestantes de atos que confrontam o regime, elevando a ao menos cinco o total de condenados à pena capital desde o início dos protestos no país, segundo informou a agência do Judiciário, Mizan News.

Essas pessoas foram presas em atos de oposição ao regime desencadeados pela morte de Mahsa Amini, curda de 22 anos morta sob custódia da polícia moral depois de ser detida acusada de violar o rígido código de vestimenta que exige das mulheres o uso correto do véu islâmico em público --sua família acusa as forças de segurança de terem agredido a jovem.

Dentre os três novos condenados, um foi acusado de atingir policias com seu carro, matando um deles; outro de ferir um agente com uma faca; e o terceiro de bloquear o trânsito e, com isso, "espalhar o terror". De acordo com a agência, os réus ainda podem recorrer em um tribunal de segunda instância.

Desde a morte de Amini, o Irã vive uma onda de protestos duramente reprimidos pelo regime. No domingo (13), um tribunal da capital Teerã expediu a primeira condenação à morte relacionada aos protestos. O manifestante foi acusado de perturbar a ordem pública e cometer um crime contra a segurança nacional após incendiar um edifício do governo.

A pessoa, não identificada, teria ainda sido declarada "inimiga de Deus". No mesmo julgamento, um segundo manifestante foi sentenciado à morte, e outros cinco foram condenados a penas de até 10 anos de prisão por crimes relacionados à segurança nacional e ordem pública.

Segundo as autoridades iranianas, mais de 2.000 pessoas estão sendo processadas por participação nos atos. Organizações internacionais de direitos humanos, porém, apontam números mais expressivos --seriam 15 mil detidos desde o início das manifestações, o que o regime não confirma.

Em seu último balanço, a ONG Direitos Humanos do Irã afirmou que as forças de segurança de Teerã mataram ao menos 326 pessoas em atos de repressão, incluindo 43 crianças e 25 mulheres. O regime, por sua vez, atribui às manifestações a morte de mais de 30 agentes desde o estopim da revolta, em setembro.

O assédio policial e judicial do regime contra os manifestantes também tem escalado. O comandante do Exército do Irã, Kiumars Heydari, afirmou na última semana que manifestantes "não terão lugar no país" caso o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, ordene uma repressão mais dura. "Se ele assim decidir, desordeiros não terão mais lugar."

Mahsa Amini tinha 22 anos e morreu quando estava sob custódia da chamada polícia moral. Ela visitava Teerã com a família e estava com o irmão no momento da detenção, que ocorreu porque Amini supostamente não estaria usando o véu islâmico da maneira que manda a lei.

Autoridades alegam que ela morreu em decorrência de um problema cardíaco, mas sua família contesta a versão. Junto com ativistas, diz que Amini foi agredida na delegacia e, por isso, morreu. A jovem era curda, minoria já marginalizada no país.

Os atos continuam em várias partes do Irã, com a agência oficial Irna indicando que dois guardas revolucionários e um paramilitar foram mortos nesta terça (15), em Bukhan, cidade de maioria curda, Kamyaran, no Curdistão, e Shiraz, no sul.

A agência também relatou a morte de um estudante devido a ferimentos na cabeça durante um ato.

Em meio a essas discussões, o regime acusou nesta quarta um novo atentado terrorista, na província do Cuzistão, no sudoeste. A TV estatal disse que ao menos cinco pessoas morreram e 15 ficaram feridas quando dois homens em um carro abriram fogo em um mercado na cidade de Izeh. Entre os mortos estariam dois membros da Baisj, milícia paramilitar ligada ao regime, além de uma criança e uma mulher.

A população local é predominantemente da minoria árabe, que aderiu aos protestos contra Teerã.

No mês passado, o Estado Islâmico reivindicou a autoria de um ataque a um templo xiita em Shiraz que matou ao menos 15 pessoas.