Irã confirma 'negociações' com EUA sobre troca de prisioneiros

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Usina nuclear de Bushehr, no Irã, em 10 de novembro de 2019

O Irã confirmou, nesta terça-feira (13), que mantém "negociações" com os Estados Unidos sobre uma eventual troca de prisioneiros, depois que um funcionário norte-americano afirmou que Washington trabalha para libertar seus cidadãos detidos.

O enviado dos EUA para o Irã, Robert Malley, afirmou no sábado que o presidente Joe Biden insiste na libertação de todos os americanos e não aceitará "acordos parciais".

Malley classificou a libertação dos prisioneiros americanos na República Islâmica como uma prioridade, acrescentando que "conseguimos alguns avanços" nas negociações com o Irã, segundo informou à NBC News.

Ao ser questionado sobre as declarações de Malley, o porta-voz do governo iraniano, Ali Rabiei, confirmou essas negociações, acrescentando que Teerã pede a libertação de todos os prisioneiros iranianos, não apenas daqueles detidos nos Estados Unidos.

O Irã "está disposto a soltar todos os prisioneiros políticos em troca da libertação de todos os presos iranianos no mundo", disse em coletiva de imprensa.

Entre os prisioneiros iranianos, estão os "que foram detidos por ordem dos Estados Unidos" ou a pedido de Washington, acrescentou, afirmando que "as negociações sobre este assunto estão atualmente em curso".

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Saed Jatibzadé, afirmou na segunda-feira que o ministro Mohamad Javad Zarif "apresentou um plano para trocar todos os prisioneiros iranianos e americanos", de acordo com a agência oficial de notícias IRNA.

"O governo Biden também está lidando com este assunto desde o primeiro dia" no cargo, acrescentou.

Esses comentários ocorrem enquanto o Irã se comprometeu a manter negociações com as potências mundiais em Viena sobre a reativação do acordo nuclear de 2015.

O acordo, que limitava o programa nuclear iraniano em troca de uma flexibilização das sanções internacionais, mal foi mantido desde que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, se retirou unilateralmente em 2018 e impôs as sanções novamente.

Os detidos estrangeiros no Irã, em sua maioria pessoas com dupla nacionalidade que são frequentemente acusadas de espionagem, aumentaram desde então.

Teerã e Washington mantiveram negociações indiretas na capital austríaca desde o início de abril passado.

Em maio, ambos os países negaram ter alcançado um acordo sobre a troca de prisioneiros, após informações que mencionavam um pacto para libertar quatro prisioneiros de cada lado, à margem das negociações de Viena.

Irã e Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980 e as tensões entre os dois países aumentaram durante o mandato de Trump.

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