Irã denuncia reforço militar americano no Oriente Médio

(Arquivo) O chanceler do Irã, Mohamad Zarif

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, denunciou neste sábado como uma "ameaça" à paz internacional o envio de novos reforços militares americanos para o Oriente Médio, em um contexto de escalada entre os dois países inimigos.

Referindo-se a ameaças de ataques "iminentes" da parte do Irã ou de seus aliados regionais contra interesses americanos, os Estados Unidos aumentaram nas últimas semanas sua mobilização militar, enviando para o Golfo um porta-aviões, bombardeiros B-52, um navio de guerra e mísseis Patriot.

E na sexta-feira o presidente Donald Trump anunciou o envio de 1.500 soldados adicionais ao Oriente Médio de maneira "preventiva".

As tensões entre os dois países, que não têm relações diplomáticas desde 1980, aumentaram desde a retirada unilateral do governo Trump, há um ano, do acordo de 2015 que rege o programa nuclear iraniano, seguido de um restabelecimento das sanções americanas contra a economia iraniana.

Em contrapartida, o Irã suspendeu alguns de seus compromissos sob o pacto no início de maio.

"O aumento da presença americana na nossa região é muito perigoso e uma ameaça à paz e à segurança internacional e deve ser resolvido", disse Zarif antes de deixar o Paquistão, segundo a agência de notícias oficial Irna.

Ele acrescentou, em referência às alegações dos Estados Unidos de "ameaças iranianas" para explicar os reforços, que "os americanos fazem tais afirmações para justificar suas políticas hostis e criar tensão no Golfo Pérsico".

Na sexta-feira, o almirante Michael Gilday, do Estado-Maior americano, disse que os ataques de 12 de maio contra petroleiros dos Emirados Árabes Unidos foram liderados pelo governo iraniano.

Ele também acusou a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime iraniano, de "tentar enviar dispositivos modificados capazes de lançar mísseis de cruzeiro" no Golfo e de ser responsável por disparar um foguete em 19 de maio na Zona Verde em Bagdá, onde se encontra a sede da embaixada americana no Iraque.

O governo Trump também informou ao Congresso americano sobre novas vendas de armas para a Arábia Saudita, maior rival regional do Irã, e para os Emirados Árabes Unidos, novamente citando a ameaça iraniana.

Neste contexto, Teerã se recusa a dialogar com Washington.

"Nós dissemos claramente: enquanto a atitude não mudar, enquanto nossa nação não tiver seus direitos respeitados (...) nosso caminho continuará o mesmo. Não haverá discussões", declarou na quinta-feira Keyvan Khosravi, porta-voz do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Youssef Ben Alawi Ben Abdallah, se reuniu com Zarif na segunda-feira em Teerã. Na quinta, o diretor político do ministério alemão das Relações Exteriores, Jens Plotner, se reuniu no Irã com um vice-chefe da diplomacia iraniana.

Omã mantém boas relações com o Irã e com os Estados Unidos e desempenhou um papel intermediário crucial nas discussões que levaram ao acordo nuclear com o Irã.