Irã e EUA discordam na ONU sobre acordo nuclear e questões de direitos humanos

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, segura uma foto do comandante da Força Quds, general Qassem Soleimani, morto em um ataque dos EUA, durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. REUTERS/Brendan McDermid

Por Parisa Hafezi e Steve Holland

SEDE DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os Estados Unidos e o Irã entraram em embates sobre segurança e direitos humanos nesta quarta-feira, com o presidente do Irã exigindo garantias dos EUA para ressuscitar o acordo nuclear de 2015, e o presidente norte-americano prometendo que Teerã nunca teria uma bomba atômica.

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, adotou um tom desafiador na Assembleia-Geral das Nações Unidas ao condenar "padrões duplos" sobre os direitos humanos após a morte de uma mulher iraniana sob custódia policial que provocou protestos em todo o país.

Raisi também disse que Teerã queria que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, fosse julgado pelo assassinato em 2020 do principal comandante da Força Quds do Irã, Qassem Soleimani, em um ataque de drone dos EUA no Iraque, segurando uma foto do general.

"Existe uma grande e séria vontade de resolver todas as questões para retomar o acordo (nuclear de 2015)", disse Raisi à Assembleia-Geral da ONU. "Só desejamos uma coisa: o cumprimento dos compromissos."

Falando mais tarde, o presidente dos EUA, Joe Biden, reiterou sua disposição de ressuscitar o pacto nuclear sob o qual o Irã concordou em restringir seu programa atômico em troca do alívio das sanções econômicas.

Em 2018, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear e reimpôs unilateralmente sanções que prejudicaram a economia do Irã.