Irã e Rússia se mostram otimistas com progresso de conversas nucleares em Viena

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Ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amirabdollahian, fala a jornalistas em Beirute

DUBAI (Reuters) - O Irã e a Rússia se mostraram otimistas nesta terça-feira com as conversas que buscam salvar o acordo nuclear iraniano de 2015, com o Irã dizendo que um pacto é possível se outras partes demonstrarem "boa fé" e um negociador russo relatando um "progresso inquestionável".

O Irã e os Estados Unidos retomaram conversas indiretas em Viena na segunda-feira. O governo iraniano se concentrou em um aspecto do trato original, a suspensão de sanções contra seu país, apesar do que críticos veem como um progresso tímido na contenção de suas atividades atômicas.

"As conversas em Viena estão seguindo uma boa direção... acreditamos que, se outras partes continuarem a rodada de conversas que começou agora com boa fé, é possível chegar a um bom acordo para todas as partes", disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Hossein Amirabdollahian, aos repórteres em Teerã.

"Se eles mostrarem seriedade, além de boa fé, chegar a um acordo em breve e no futuro próximo é concebível", opinou Amirabdollahian em um vídeo de seus comentários exibido pela mídia estatal.

O enviado russo, Mikhail Ulyanov, escreveu no Twitter: "Observamos um progresso inquestionável... a suspensão de sanções está sendo debatida ativamente em arranjos informais" de um grupo de trabalho presente nas negociações.

A sétima rodada de conversas terminou 11 dias atrás depois de acrescentar algumas novas exigências do Irã a um texto-base.

Potências ocidentais disseram que as conversas renderam pouco progresso discernível desde que foram retomadas pela primeira vez após a eleição do presidente iraniano linha-dura Ebrahim Raisi em junho. Elas também disseram que os negociadores têm "semanas, não meses" antes de o acordo de 2015 perder a razão de ser.

Pouco restou do acordo, que suspendeu sanções contra o Irã em troca de restrições às suas atividades atômicas. O então presidente norte-americano Donald Trump retirou seu país do pacto em 2018, reativando sanções, e mais tarde o Irã violou muitas das restrições do acordo nuclear e continuou avançando muito além delas.

O Irã se recusa a se encontrar diretamente com autoridades dos EUA, o que significa que as outras partes do acordo --Rússia, China, França, Reino Unido, Alemanha e União Europeia-- têm que mediar as conversas entre os dois lados.

Os EUA expressaram diversas vezes sua frustração com esse formato, dizendo que ele atrasa o processo, e autoridades ocidentais ainda suspeitam que o Irã está simplesmente ganhando tempo.

Separadamente, a mídia iraniana noticiou nesta terça-feira que Raisi está planejando visitar a Rússia no começo de 2022 a convite do presidente Vladimir Putin.

(Por redação de Dubai e Miranda Murray, em Berlim)

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