Irã executa britânico-iraniano acusado de espionagem; Reino Unido condena ato "bárbaro"

Akbari, ex-vice-ministro da Defesa do Irã

DUBAI/LONDRES (Reuters) - O Irã executou um cidadão britânico-iraniano que já serviu como vice-ministro da Defesa do Irã, disse o judiciário iraniano, desafiando os pedidos de Londres e Washington por sua libertação após ele ser sentenciado à morte sob a acusação de espionar para o Reino Unido.

O Reino Unido, que declarou o caso contra Alireza Akbari como de motivação política, condenou a execução, com o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, chamando-a de "um ato insensível e covarde realizado por um regime bárbaro".

Akbari, de 61 anos, foi preso em 2019.

A agência iraniana de notícias do judiciário Mizan reportou a execução sem dizer quando ela ocorreu.

Na noite de sexta-feira, o secretário de Relações Exteriores britânico, James Cleverly, havia dito que o Irã não poderia seguir em frente com a sentença.

Em uma gravação de áudio supostamente de Akbari e transmitida pela BBC persa na quarta-feira, ele disse que havia confessado crimes que não cometeu após tortura extensa.

"Alireza Akbari, que foi condenado à morte por acusações de corrupção e ampla ação contra a segurança interna e externa do país por meio de espionagem para o serviço de inteligência do governo britânico... foi executado", disse a agência Mizan.

Sunak disse no Twitter estar "horrorizado com a execução", dizendo que Teerã "não tem respeito pelos direitos humanos de seu próprio povo".

Cleverly disse em um comunicado que "não permanecerá sem contestar", anunciando mais tarde que o Reino Unido impôs sanções ao procurador-geral do Irã.

As declarações britânicas sobre o caso não abordam a acusação iraniana de que Akbari espionava para o Reino Unido.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã notificou o embaixador britânico neste sábado pelo o que chamou de "intromissão no reino da segurança nacional do Irã" por Londres, segundo a agência de notícias estatal Irna.

(Reportagem da redação de Dubai, Michael Holden em Londres e Tassilo Hummel em Paris)