Irã garante que não se apressará por assinatura de acordo nuclear

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou, nesta segunda-feira (25), que não vai se apressar, apesar da pressão ocidental, para retomar o acordo nuclear, depois que as negociações foram paralisadas em março.

"Estão exigindo que o Irã tome uma decisão rápida", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Nasser Kanani, em sua entrevista coletiva semanal.

Kanani acrescentou que a contraparte insiste que o tempo é limitado e que a República Islâmica deve responder rapidamente, mas "o Irã não vai agir com pressa".

As negociações em Viena entre o Irã e as principais potências mundiais para reviver o acordo nuclear de 2015 estão paralisadas desde março.

O Catar organizou, no final de junho, conversas indiretas em Doha entre o Irã e os Estados Unidos – que se retiraram do acordo em 2018 – na esperança de retomar o processo, mas essas discussões foram interrompidas após dois dias e sem progressos.

A República Islâmica "não sacrificará os interesses fundamentais do país e da nação em um processo apressado", acrescentou Kanani.

Após uma reunião com o presidente iraniano, Ebrahim Raisi, o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, declarou, no sábado, que o relançamento do acordo "ainda era possível", mas enfatizou que "deveria acontecer o mais rápido possível".

Por sua vez, o porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Ned Price, disse, na quinta-feira, que o Irã "não parece ter tomado as decisões políticas necessárias para garantir um retorno mútuo ao acordo".

Além disso, o chefe do MI6, o serviço de inteligência externa britânico, declarou duvidar que o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, apoie um retorno ao acordo nuclear.

"Se os Estados Unidos agirem como o Irã de forma construtiva e de boa fé e responderem positivamente aos movimentos positivos do Irã, acreditamos num avanço do acordo", disse Kanani.

Por outro lado, o chefe da organização iraniana de energia atômica, Mohammad Eslami, declarou, nesta segunda-feira, que as câmeras de vigilância da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), desconectadas em junho, não serão reconectadas enquanto não houver o restabelecimento do acordo de 2015.

O Irã desligou algumas câmeras em suas instalações nucleares em resposta à resolução apresentada à AIEA por Estados Unidos e Europa acusando Teerã de falta de colaboração.

"As câmeras deveriam refutar as acusações" das potências ocidentais, que afirmam que o Irã busca desenvolver a bomba atômica, "mas se essas acusações forem mantidas, a existência das câmeras não faz sentido", explicou Eslami, citado pela agência oficial de notícias IRNA.

"A AIEA recuperou as câmeras e as mantém seladas nas instalações [nucleares]", assegurou.

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