Evo Morales pede combate ao capitalismo e exalta movimentos indígenas na ONU

Nações Unidas, 16 abr (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu nesta segunda-feira para que os movimentos indígenas do mundo todo se mobilizem para combater o capitalismo e proteger a "Mãe Terra".

"Somos obrigados a combater o imperialismo, o capitalismo, o intervencionismo, o armamentismo. Essas políticas são voltadas a nos levar ao genocídio", denunciou Morales em discurso durante a abertura da sessão anual do Fórum Permanente da ONU para os Assuntos Indígenas.

Segundo o presidente boliviano, se essas tendências não forem alteradas, não será possível garantir a sobrevivência dos seres humanos, pois "as políticas orientadas a acumular capital em poucas mãos não respeitam a Mãe Terra".

"O inimigo está aí. Se nós não tivermos capacidade de nos organizar, não somente como movimento indígena, mas em outros setores sociais, não estaremos garantindo a vida das futuras gerações", insistiu.

Morales ressaltou a importância do movimento indígena na promoção de uma vida de harmonia com a natureza e ressaltou a necessidade de se trabalhar para recuperar o poder político em mais lugares. Nesse sentido, destacou os avanços obtidos por seu governo na Bolívia e pediu para que mais países sigam esse caminho.

"Quando não nos submetemos ao domínio externo, politicamente, do império americano nestes tempos, quando não nos submetemos economicamente nem ao Banco Mundial nem ao Fundo Monetário Internacional estamos melhor economicamente, estamos melhor democraticamente, estamos melhor culturalmente", declarou.

Morales também denunciou que há Estados com "políticas de intervenção" e de "humilhação".

"Não se trata de problemas políticos. Inventam problemas políticos para intervir militarmente em um país e depois saquear os seus recursos naturais", afirmou, sem fazer referência a nenhum caso concreto. EFE