Irã inicia produção de urânio, em nova violação do acordo de 2015, diz ONU

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Irã começou a produzir urânio em mais uma violação de seus compromissos do acordo de 2015, uma vez que a substância pode ser usada na fabricação de armas nucleares. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (10) pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) verificou, na segunda (8), "3,6 gramas de urânio na usina de Isfahan", de acordo com uma nota enviada à agência de notícias AFP. Segundo Teerã, o urânio é para "produzir combustível" para um de seus reatores como parte de suas atividades de pesquisa e desenvolvimento --o país sempre negou a produção de armas nucleares. O acordo nuclear foi firmado em 2015, quando os EUA eram chefiados pelo democrata Barack Obama, com Joe Biden como vice. O Irã concordou em limitar seu programa nuclear em troca de alívio nas sanções econômicas. Em 2019, porém, em resposta à saída do ex-presidente Donald Trump no ano anterior e à reimposição de sanções por Washington, Teerã começou a dar passos maiores na quebra do acordo. A infração mais grave até agora foi em janeiro, quando o país elevou para 20% o grau de enriquecimento de seu urânio, nível que o país praticava antes de 2015, mas que ainda está longe dos 90% exigidos para a fabricação de uma bomba. A chegada de Joe Biden à Casa Branca deu esperanças de uma retomada no diálogo após a política de pressão máxima de Trump. No domingo (7), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, chegou a afirmar que primeiro o governo dos EUA deveria suspender completamente as sanções contra seu país antes que o Irã voltasse a assumir os compromissos determinados pelo acordo. No entanto, o novo presidente dos Estados Unidos advertiu que não dará o primeiro passo para suspender as sanções, como exigem os líderes iranianos. Em uma entrevista ao canal CBS, mais tarde naquele domingo (7), o democrata disse que não suspenderá as sanções até que o país retome a redução de sua produção nuclear. Na manhã desta quarta, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, alertou que "a janela de tiro está se estreitando", aumentando a pressão sobre Washington. "Em breve meu governo será forçado a tomar novas medidas em resposta ao lamentável fracasso dos americanos e europeus", disse em uma mensagem no YouTube. Em 21 de fevereiro, prazo definido pelo Parlamento, o Irã poderá restringir o acesso dos inspetores da AIEA a seus locais nucleares, uma linha vermelha que colocaria em risco as manobras dos bastidores para tentar salvar o acordo.