Irã: Justiça confirma pena de 6 anos de prisão ao cineasta Jafar Panahi, premiado em Cannes e Berlim

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Reuters / Christian Charisius
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O premiado cineasta iraniano Jafar Panahi, preso na semana passada em Teerã, deve cumprir uma sentença de seis anos, já imposta a ele em 2010, anunciou a justiça iraniana na terça-feira (19). Ele é o terceiro diretor de cinema a ser preso neste mês no Irã.

Panahi, de 62 anos, ganhou vários prêmios em festivais internacionais por filmes que criticaram o Irã moderno, incluindo o prêmio principal em Berlim por "Táxi Teerã", em 2015, e melhor roteiro em Cannes por seu filme "Três faces", em 2018.

Ele é o terceiro diretor a ser detido este mês, ao lado de Mostafa Aleahmad e Mohammad Rasoulof, que ganhou o Urso de Ouro em Berlim em 2020 com seu filme "There Is No Evil".

"Panahi foi condenado em 2010 a um total de seis anos de prisão e, portanto, foi colocado no centro de detenção de Evin para cumprir sua pena lá", disse o porta-voz judicial Massoud Setayeshi a repórteres.

O cineasta já havia sido preso em 2010, após seu apoio a manifestações antigovernamentais. Feroz crítico da ditadura xiita, Panahi foi condenado por "propaganda contra o sistema", sentenciado a seis anos de prisão, proibido de dirigir ou escrever filmes durante 20 anos e impedido de deixar o país.

Mas ele cumpriu apenas dois meses de prisão em 2010 e, posteriormente, estava vivendo em liberdade condicional que poderia ser revogada a qualquer momento.

Inventivo e subversivo

Apesar das restrições da justiça iraniana, Panahi driblou várias vezes a censura e seus filmes continuaram a ser exibidos e premiados no exterior. Em “Táxi Teerã”, uma mistura de ficção e documentário, o próprio Panahi se transforma em motorista, fazendo corridas pela cidade de Teerã, com personagens-passageiros que dão um recorte da sociedade iraniana. O último prêmio que recebeu em Cannes foi em 2018, pelo roteiro de “Três Rostos”, um intrigante road movie que revela o lado recluso de um vilarejo afastado, onde as tradições ditam as leis locais.

Panahi foi preso novamente em 11 de julho depois de ir ao escritório do promotor para acompanhar a situação de Rasoulof.

As prisões ocorrem depois que Panahi e Rasoulof denunciaram em maio as prisões de vários colegas em sua terra natal em uma carta aberta.

Repúdio internacional

Apesar das pressões políticas, o Irã tem uma indústria cinematográfica excepcional, sendo regularmente premiados nos principais festivais internacionais.

Os organizadores do Festival de Cinema de Cannes disseram que "condenam veementemente" as prisões, bem como "a onda de repressão evidentemente em curso no Irã contra seus artistas".

O festival de cinema de Veneza pediu a "libertação imediata" dos diretores, enquanto o festival de cinema de Berlim disse estar "consternado e indignado" com a prisão.

O Ministério das Relações Exteriores da França expressou na sexta-feira (15) preocupação com as prisões "arbitrárias" de cineastas, citando uma "preocupante deterioração da situação dos artistas no Irã".

O Irã prendeu nas últimas semanas várias figuras importantes, incluindo o político reformista Mostafa Tajzadeh, que foi detido em 8 de julho. Ele "está atualmente em prisão preventiva no presídio de Evin" e "sua acusação está se acumulando e conspirando com a intenção de agir contra a segurança do país e a propaganda contra o sistema", alega a justiça iraniana..

O político, que no ano passado se candidatou à presidência sem sucesso, foi preso em 2009 durante protestos que disputavam a reeleição do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Tajzadeh, que há muito fazia campanha pela democracia e "mudanças estruturais" na república islâmica, foi condenado em 2010 por ameaças contra a segurança nacional e por propaganda contra o Estado, antes de ser libertado em 2016 após cumprir sua sentença.

Ele havia servido como vice-ministro do Interior durante o mandato de 1997-2005 do ex-presidente reformista Mohammad Khatami.

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