Irã liberta o pesquisador francês Roland Marchal

Por Valérie LEROUX
Performance de Alioune Diagne em demonstração de apoio aos dois pesquisadores detidos no Irã, em 11 de fevereiro de 2020 em Paris

Após nove meses e meio de detenção, o Irã libertou o pesquisador francês Roland Marchal, em troca da libertação pela França de um engenheiro iraniano ameaçado de extradição para os Estados Unidos.

Paris anunciou na manhã deste sábado, em um breve comunicado, a soltura de Roland Marchal, esperado na França na parte da tarde.

Por outro lado, o presidente francês, Emmanuel Macron, "instou as autoridades iranianas a libertar imediatamente a compatriota Fariba Adelkhah", pesquisadora franco-iraniana ainda presa no Irã.

Roland Marchal foi preso em junho de 2019, ao mesmo tempo que sua companheira, Fariba Adelkhah, pesquisadora como ele no Centro de Pesquisa Internacional (CERI) de Sciences Po Paris.

Na sexta-feira, dia do ano novo persa, o Irã anunciou uma troca de detidos entre Paris e Teerã. A presidência francesa não menciona a troca de prisioneiros.

A República Islâmica indicou que a França havia libertado o engenheiro iraniano Jalal Rohollahnejad, cuja justiça francesa acabou de aceitar a extradição para os Estados Unidos, sem especificar o nome do francês liberado na troca.

Segundo imagens transmitidas pela televisão estatal iraniana, Rohollahnejad chegou a Teerã durante a madrugada, onde foi recebido por alguns parentes.

A antropóloga Fariba Adelkhah, especialista em xiismo, 60 anos, e seu companheiro, o africanista Roland Marchal, 64 anos, que veio se juntar a ela para uma visita particular, foram presos pela Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime, em 5 de junho de 2019 no aeroporto de Teerã.

Ambos foram acusados de "conluio para pôr em risco a segurança nacional", um crime punível com pena de dois a cinco anos de prisão.

A pesquisadora também está sendo processada por "propaganda contra o sistema". A acusação de espionagem contra ela, punível com a pena de morte, foi abandonada em janeiro.

Em Paris, seu comitê de apoio alegou sua inocência e exige sua libertação imediata.

"Recebemos com alívio a chegada de Roland Marchal em Paris, depois de quase nove meses de detenção arbitrária em condições muito adversas. Mas apenas metade da estrada foi percorrida", lembrou Jean-François Bayart, professor do IHEID (Instituto de Estudos Avançados Internacionais e Desenvolvimento) em Genebra e membro desse comitê.

Suas preocupações aumentaram devido à propagação acelerada da pandemia de Covid-19 no Irã, um dos países mais afetados do mundo, com 1.556 mortos.

A epidemia é particularmente temida no ambiente prisional. Fariba Adelkhah ficou muito enfraquecida por uma greve de fome de 49 dias. Roland Marchal, em isolamento quase completo, foi muito afetado "mental e fisicamente", segundo seu advogado.

Nenhuma informação foi vazada sobre as circunstâncias de sua liberação. Mas os dois pesquisadores foram considerados moeda de troca para a libertação do engenheiro iraniano, detido na França desde fevereiro de 2019.

Jalal Rohollahnejad é acusado por Washington de ter tentado levar equipamentos tecnológicos para o Irã, violando as sanções americanas contra Teerã.