Irã não explica vestígios de urânio encontrados em suas instalações, aponta relatório de agência da ONU

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Diretor da AIEA, Rafael Grossi

Por Francois Murphy

VIENA (Reuters) - O Irã não explicou os vestígios de urânio encontrados em diversos locais não declarados, mostrou um relatório da agência nuclear da ONU nesta segunda-feira, possivelmente estabelecendo novas tensões diplomáticas entre Teerã e o Ocidente que podem comprometer negociações mais amplas por um acordo nuclear.

Três meses atrás, Reino Unido, França e Alemanha descartaram um plano endossado pelos EUA para que o Conselho de Governantes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) criticasse o Irã pelo fracasso em explicar completamente a origem das partículas; as três potências retrocederam quando o diretor da AIEA Rafael Grossi anunciou novas negociações com o Irã.

"Após muitos meses, o Irã não providenciou a explicação necessária para a presença de partículas de material nuclear em qualquer uma das três localidades onde a Agência conduziu inspeções complementares", afirma um relatório de Grossi aos países membros ao qual a Reuters teve acesso.

A decisão de retomar a pressão por uma resolução criticando o Irã agora cabe aos três governos europeus, e pode prejudicar as negociações mais amplas para ressuscitar o acordo nuclear de 2015, que já estão acontecendo em Viena. Grossi esperava reportar progresso antes da reunião do conselho na semana que vem.

"O diretor-geral está preocupado que as discussões técnicas entre a Agência e o Irã ainda não produziram os resultados esperados", aponta o relatório.

"A falta de progresso em esclarecer as questões da agência que dizem respeito à correção e à integralidade das declarações de salvaguardas do Irã afetam seriamente a capacidade da agência em oferecer garantia da natureza pacífica do programa nuclear do Irã", acrescenta o documento.

Em um relatório trimestral separado enviado também a Estados-membros na segunda-feira e visto pela Reuters, a agência ofereceu uma indicação do prejuízo feito à produção de urânio enriquecido do Irã após uma explosão seguida de corte de energia elétrica na instalação de Natanz no mês passado, incidente pelo qual Teerã culpa Israel.