Irã nega decisão sobre apagar imagens de câmeras da AIEA

·3 minuto de leitura
A central nuclear de Bushehr, sul do Irã, em 20 de agosto de 2010

O Irã afirmou nesta segunda-feira (28) que não tomou nenhuma decisão sobre apagar ou conservar as imagens gravadas pelas câmeras de vigilância da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) posicionadas em algumas de suas instalações nucleares, após o fim do acordo provisório entres as partes.

"Não se tomou nenhuma decisão sobre a eliminação dos dados" gravados por essas câmeras sob o controle da República Islâmica, afirmou Said Khatibzadeh, porta-voz do ministério das Relações Exteriores, em entrevista coletiva em Teerã.

Em virtude de uma lei aprovada em dezembro pelo Parlamento conservador e contrariando a opinião do governo moderado do atual presidente Hassan Rohani, o Irã restringiu, em fevereiro, o acesso dos inspetores da AIEA a algumas de suas instalações nucleares.

Desde então, o país se nega a fornecer imagens em tempo real das câmeras e de outros instrumentos de supervisão instalados pela agência nesses locais.

AIEA e Teerã, no entanto, negociaram um compromisso para garantir um certo grau de vigilância do programa nuclear iraniano, de modo que o equipamento fique sob a custódia do organismo, mas os dados estão nas mãos do Irã e não devem ser apagados enquanto o acordo estiver em vigor.

Inicialmente previsto para durar três meses, o acordo foi prorrogado por mais um mês, mas expirou em 24 de junho.

A AIEA insiste na "importância vital" de ampliar o acordo, mas Teerã ainda não apresentou resposta.

"Insisto em que nenhuma decisão negativa, ou positiva, foi tomada em relação às câmeras e ao acordo prévio com a agência", disse Khatibzadeh nesta segunda-feira.

A decisão é responsabilidade do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano.

O problema das câmeras de vigilância da AIEA faz parte das negociações em andamento para tentar salvar o acordo nuclear internacional do Irã assinado em Viena em 2015.

O ministério das Relações Exteriores da França, país signatário do acordo, pediu ao Irã que "conceda imediatamente pleno acesso" à AIEA, com o objetivo de "assegurar o conhecimento das atividades nucleares iranianas".

O pacto de Viena oferece a Teerã um alívio das sanções ocidentais e da ONU em troca de seu compromisso de não desenvolver armas atômicas e de reduzir drasticamente seu programa nuclear, submetido às inspeções mais rígidas já estabelecidas pela AIEA.

Mas o acordo de Viena foi muito prejudicado em 2018 pela decisão do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump de abandonar o pacto e retomar as sanções.

Em resposta, o Irã abandonou a maioria de seus compromissos para restringir suas polêmicas atividades nucleares.

Com a chegada de Joe Biden à Casa Branca em janeiro, as discussões foram retomadas em Viena e seguem em curso para um possível retorno dos Estados Unidos ao acordo.

A solução prevista passa pela suspensão das sanções americanas, que Teerã exige em troca do retorno ao cumprimento estrito de seus compromissos.

O Irã se comprometeu a transmitir à AIEA os dados registrados por suas câmaras após o fim das sanções americanas. Em caso contrário, os dados serão destruídos.

mj-ap/all/pc/me/tt/fp

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos