Irã condena decisão do Conselho de D.Humanos de estender supervisão

Teerã, 25 mar (EFE).- A República Islâmica do Irã condenou neste domingo a decisão do Conselho de Direitos Humanos de prolongar por um ano mais o mandato da relatora especial que faz o acompanhamento da situação no Irã, ao considerar que obedece à vontade de um bloco de países que cometeram graves abusos destes direitos.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano, Bahram Qasemi, disse em um comunicado que a extensão da missão da relatora especial "carece de respaldo profissional".

"Foi uma medida desnecessária", segundo Qasemi, que colocou em questão a "autenticidade e legitimidade", já que "carece do apoio de um considerável número dos membros do Conselho de Direitos Humanos".

A missão, continuou, foi emitida "só se baseando nos votos de um bloco político específico e de vários países da região que estão entre os principais violadores dos direitos humanos no mundo e na região".

"É um sinal do uso indevido de um número limitado de países dos mecanismos dos direitos humanos das Nações Unidas", disse Qasemi, que reiterou que por isso é "inaceitável" para o Irã.

A resolução, aprovada na sexta-feira, foi apresentada pela Suécia e pelos Estados Unidos, entre outros países, e pede ao Irã que coopere plenamente com o novo relator, que será designado proximamente após a morte do advogado paquistanês Asma Jahangir, que exercia essa função.

O texto foi aprovado por 21 votos, além de 19 abstenções e 7 votos em contra.

A delegação diplomática da Suécia se encarregou de apresentar a resolução antes da votação e, ainda que tenha admitido que o Irã se comprometeu "cada vez mais" com o trabalho, lembrou que ainda não permitiu a seu titular visitar o país, um pedido que realiza desde 2011.

A União Europeia também pediu a Teerã que coopere de forma mais completa com o relatório e ofereceu seguir com "um diálogo construtivo" para melhorar a situação interna de direitos humanos.

No lado oposto, vários países se pronunciaram contra a resolução, entre eles Cuba, Venezuela e Paquistão, que pediu que fosse votada. EFE

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