Ignorando "Brexit", líderes da União Europeia celebram 60 anos do bloco

Roma, 25 mar (EFE).- Os 27 países-membros da União Europeia, sem o Reino Unido, defenderam a unidade do bloco e estabeleceram as prioridades para a próxima década, durante uma cerimônia realizada para comemorar os 60 anos do projeto europeu e também para discutir as bases para o futuro comunitário após o "Brexit".

Os líderes não deixaram que a anunciada saída do Reino Unido da União Europeia, que deve ser comunicada pela primeira-ministra britânica, Theresa May, na próxima quarta-feira, estragasse a festa, e chegaram sorridentes e descontraídos ao Campidoglio, sede da Prefeitura de Roma.

A cidade foi palco da assinatura do Tratado de Roma, o embrião da atual União Europeia, em 25 de março de 1957, por seis países - Alemanha, Bélgica, França, Itália e Luxemburgo. Hoje, os líderes renovaram a vontade de avançar no projeto europeu com a assinatura de uma declaração que ressalta a unidade do bloco.

A cerimônia, transmitida ao vivo, incluiu brincadeiras, como a realizada entre os primeiros-ministros da Grécia, Alexis Tsipras, e da Polônia, Beata Szydlo, que brincaram na hora de assinar o texto, cientes da preocupação que causaram em todos até a última hora pelas ressalvas que faziam à declaração.

Outro momento de destaque foi protagonizado pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que assinou o documento com a pluma original usada pelo líder de Luxemburgo em 1957.

A Declaração de Roma inclui a ideia de que os países devem avançar em diferentes velocidades, mas em um tom suavizado para não incomodar os países do leste europeu, que, na última cúpula do bloco, expressaram mal-estar com esse trecho da declaração.

"Atuaremos juntos, em diferentes ritmos e com distinta intensidade quando seja necessário, enquanto avançamos na mesma direção, como fizemos no passado, em conformidade com os tratados e mantendo as portas abertas aos que queiram se unir mais adiante. Nossa união é indivisível", ressalta o texto da Declaração de Roma.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, lembrou em seu discurso a oposição a uma Europa de diferentes velocidades.

"Vivi metade da minha vida atrás da Cortina de Ferro, onde era proibido de sonhar com os valores democráticos. Isso era, de verdade, a Europa em duas velocidades", afirmou o ex-primeiro-ministro da Polônia.

"Hoje, em Roma, a União Europeia renova a aliança única de nações livres iniciada há 60 anos. Na época, não se falava de várias velocidades", continuou Tusk, criticando também os que negam esse avanço em diferentes ritmos.

"Não basta chamar à unidade e protestar contra as múltiplas velocidades. É muito mais importante que respeitemos nossos valores comuns, que são os direitos humanos e as liberdades civis", indicou.

Juncker opinou, por sua vez, que a Declaração de Roma se inscreve no debate já iniciado no "livro branco" sobre o futuro da Europa, que perfila cinco cenários para avançar no projeto europeu.

A Declaração de Roma aborda, além disso, a necessidade de garantir a segurança da União Europeia de ameaças como o terrorismo, de proteger as fronteiras exteriores, lidar corretamente com a imigração e garantir que o bloco tenha um papel importante no cenário global.

Neste sábado, por ocasião da cerimônia e devido à possibilidade de distúrbios nas seis manifestações convocadas em Roma pela reunião, as autoridades blindaram a região ao redor do Campidoglio.

O local, que fica perto da praça Veneza, habitualmente repleta de turistas, o tráfego foi suspenso e não era permitida a circulação de pedestres. EFE