Irã respeitará 'automaticamente' compromissos nucleares, se EUA levantar sanções

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O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, em Havana, em 6 de novembro de 2020
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, em Havana, em 6 de novembro de 2020

O Irã pode voltar a aplicar "automaticamente" seus compromissos em matéria nuclear, se o futuro governo dos Estados Unidos liderado por Joe Biden levantar as sanções contra Teerã - declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif.

"É algo que pode ser feito automaticamente", disse Zarif ao jornal estatal Iran.

"Os Estados Unidos podem respeitar seus compromissos (...) e nós respeitaremos os nossos (...). Não é preciso negociar nem estabelecer condições para isso", acrescentou.

"Se os Estados Unidos respeitarem a resolução (2231 do Conselho de Segurança da ONU), se as sanções forem levantadas e não houver nenhum obstáculo para as atividades econômicas do Irã, então o Irã, tal e como anunciou, respeitará seus compromissos" em matéria nuclear, continuou.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que deseja mudar a política de "pressão máxima" contra o Irã implementada pelo governo de Donald Trump.

Os Estados Unidos saíram unilateralmente, em maio de 2018, do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano assinado em Viena três anos antes. Trump impôs novamente as antigas sanções americanas contra o Irã e acrescentou outras novas.

Enquadrado na resolução 2231, o Acordo de Viena oferece a Teerã um alívio de suas sanções internacionais em troca de garantias, verificadas pela ONU, de que seu programa nuclear não tenha finalidades militares.

Desde que as sanções voltaram a ser aplicadas, o Irã mergulhou em uma grande recessão. Como resposta, Teerã foi-se desvinculando dos compromissos que adquiriu ao assinar este acordo, embora sempre tenha-se mostrado disposto a cumprir suas obrigações, se os Estados Unidos deixassem de aplicar as sanções.

"É muito bom que Biden queira voltar" ao Acordo de Viena, mas "é preciso esclarecer que o Irã não aceitará condições", disse Zarif nesta quarta-feira (18).

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