Irã retoma orações de sexta-feira após mais de dois meses

Por Ahmad PARHIZI
Imagem de 25 de abril de 2020 de mesquita em Teerã

O Irã, país do Oriente Médio mais afetado pelo novo coronavírus, permitiu aos fiéis de várias províncias voltar a se reunir para as orações de sexta-feira, pela primeira vez em mais de dois meses, mas Teerã continuará submetida a restrições.

Em pleno ramadã, mês de jejum muçulmano, a TV estatal exibiu imagens de fiéis rezando em uma mesquita no noroeste do país, usando máscaras e respeitando as medidas sanitárias e de distanciamento social.

O governo voltou a pedir, nesta sexta-feira, que os iranianos levem mais a sério o distanciamento social , ao anunciar mais de 1,5 mil novos casos de infecção no país.

Desde o surgimento da Covid-19 em seu território, em meados de fevereiro, o Irã tentou conter a sua propagação, mas não impôs o confinamento total, nem a quarentena.

Sob pressão econômica, o governo permitiu, em 11 de abril, a reabertura progressiva do comércio, e, na última segunda-feira, autoridades autorizaram a abertura das mesquitas em cerca de 30% das subdivisões provinciais onde se considera mínimo o risco de reaparecimento da doença.

O órgão responsável por organizar as orações de sexta-feira declarou que as mesmas aconteceriam em 180 cidades. Mas devido ao medo de recrudecimento da epidemia, as mesquitas permanecerão fechadas na capital, atingida na última noite por um terremoto moderado, que deixou um morto e mais de 20 feridos.

Mohsen Alviri, acadêmico e teólogo da cidade sagrada xiita de Qom, primeiro foco da epidemia no país, destacou a importância das orações de sexta-feira na república islâmica, que vê como "oportunidade de criar uma interação entre o governo e as massas".

O Irã registrou oficialmente 55 mortes causadas pelo vírus nas últimas 24 horas, elevando o total oficial para 6.541, segundo o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianuche Jahanpur.

- Aumento das infecções -

Outras 1.556 pessoas testaram positivo para o novo coronavírus, aumentando o total para 104.691, segundo Jahanpur.

Desde a última segunda-feira, as novas infecções registradas oficialmente são superiores a mil por dia. Em 3 de maio, o número havia caído para 802 casos, nível mais baixo desde 10 de março. Para especialistas estrangeiros e vários funcionários iranianos, os números do governo estão subestimados.

Segundo o Ministério da Saúde, os fiéis devem usar máscara e luvas nas mesquitas, onde podem permanecer por meia hora no momento da oração. Também foi solicitado que as mesquitas não ofereçam alimentos ou bebidas, forneçam álcool em gel e desinfetem todas as superfícies, segundo um comunicado citado pelo órgão semioficial Isna.