Irão estreia-se no Mundial a perder com a Inglaterra e um ensurdecedor silêncio

O Irão, de Carlos Queiroz, estreou-se no Mundial do Qatar a sofrer uma goleada (2-6) perante a Inglaterra, num jogo marcado também pela polémica extra-futebol.

Primeiro, com a FIFA a proibir o uso pelo capitão inglês de uma braçadeira arco-íris de apoio à comunidade LGBT. Harry Kane acabou por usar uma homologada pela FIFA contra a discriminação geral e prevista apenas para depois dos quartos de final do torneio.

AP Photo/Martin Meissner
Harry Kane com a braçadeira contra a discriminação homologada pela FIFA - AP Photo/Martin Meissner

De realçar também o facto de alguns jogadores ingleses terem colocado um joelho no relvado, num gesto entendido como solidário pela luta contra o racismo.

Foi, no entanto, o silêncio dos jogadores persas durante o hino do Irão, normalmente entoado, a ser entendido como intervenção política de uma equipa que se tem mantido discreta apesar da constante pressão para se manifestar perante os protestos antirregime em curso.

A agência Reuters avança de que até a televisão estatal iraniana cortou a transmissão do jogo perante a atitude da equipa durante o hino.

O Irão tem sido palco de violentos protestos desde a morte, em setembro, da jovem Mahsa Amini às mãos da apelidada "polícia da moral", que a deteve por estar alegadamente a usar de forma incorreta o véu islâmico.

Os membros da comitiva do Irão, o treinador português Carlos Queiroz incluído, têm sido pressionados desde as primeiras conferências de imprensa para se manifestarem perante os protestos em curso no país.

Alguns jogadores mostraram-se solidários pela luta do povo, incluindo Taremi, mas é o silêncio durante o hino neste primeiro jogo que parece ter sido ensurdecedor para alguns, inclusive em Teerão.