Irão vai começar a julgar em público mil detidos na vaga de protestos

As autoridades iranianas vão começar a julgar esta semana, publicamente, mil pessoas detidas e acusadas de envolvimento na vaga de protestos que tomou conta do país.

O Irão tem sido palco de manifestações violentas desde a morte da jovem curda Mahsa Amini, dias depois de ser detida pela polícia da moral por alegado uso indevido do véu islâmico.

O chefe do poder judicial iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, disse que os julgamentos serão "rápidos e precisos", principalmente - lembrou - os julgamentos dos que tentaram subverter o sistema islâmico.

De acordo com o gabinete judicial de Teerão serão julgados "indivíduos que cometeram atos de sabotagem durante a recente agitação e que enfrentam sérias acusações, tais como agressão e morte de forças de segurança ou atear fogo a propriedade pública e privada."

Pelo menos 1.019 pessoas foram acusadas em oito das 31 províncias iranianas pelo alegado envolvimento nos protestos, mas o número poderá ser mais elevado, porque as diferentes regiões têm vindo a anunciar os seus casos.

Alguns dos detidos em diferentes províncias do país foram acusados de atos que podem levar à pena de morte.

A Amnistia Internacional classificou a resposta de Teerão como uma “repressão brutal”.

No fim de semana, as forças de segurança disparam e lançaram gás lacrimogéneo sobre um grupo de estudantes em protesto.

Desde que começaram as manifestações já morreram pelo menos 283 pessoas. Mais de 14 mil foram detidas.