IR 2021: Recebeu a restituição? Veja o que fazer com o dinheiro e onde investir

·6 minuto de leitura
IMPOSTO DE RENDA 2311 - agência Brasil.jpg

RIO — A Receita Federal paga, nesta segunda-feira, o primeiro lote de restituição do Imposto de Renda 2021. São 3,5 milhões de contribuintes que receberão o maior pagamento de lote da História, de R$ 6 bilhões.

Desse montante, R$ 5,5 bilhões são para os contribuintes que têm prioridade legal, como idosos e pessoas com deficiência. Outras 260 mil pessoas receberão no primeiro lote por terem entregue declarações de exercícios anteriores até dia 28 de fevereiro.

Nesta segunda-feira, também é o último dia para a entrega da declaração.

O contribuinte pode se perguntar o que fazer com o dinheiro recebido. Segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, o primeiro passo é pagar eventuais dívidas existentes e, se não houver débitos ou após encerrá-los, investir a quantia.

Veja algumas dicas:

1 –Acerte as contas

O total de brasileiros com contas em atraso chegou a 63 milhões em abril de 2021, segundo dados do Serasa, uma alta de 0,7% em relação ao mês anterior. O ano de 2021 já acumula 1,6 milhão de pessoas que deixaram de pagar suas dívidas e acabaram sendo negativadas.

Para a analista de investimentos da Suno Research, Gabriela Mosmann, os contribuintes devem utilizar a quantia para quitar as dívidas. Ela ressalta que, mesmo para quem não tem débitos, é necessário prestar atenção para não criar despesas já contando com o dinheiro da restituição

— Verifique como estão suas finanças hoje e, se tiver dívidas ou souber que terá algum tipo de gasto inevitável adiante, aproveite a restituição para isso — disse Mosmann.

2 – Gaste com o necessário e invista

Caso não tenha dívidas pendentes, você poderá investir o dinheiro da restituição. Como destacam os analistas, a complexidade dos investimentos vai depender do perfil e dos objetivos de cada contribuinte.

A especialista em finanças e professora da IAG – Escola de Negócios da PUC, Graziela Fortunato, ainda destaca que, antes dos investimentos, os contribuintes podem usar o dinheiro para comprar produtos ou serviços necessários, mas que foram cortados por questões de economia.

— Antes de investir, as pessoas podem gastar o dinheiro com coisas necessárias. Elas cortaram muitos produtos importantes na parte de alimentação, saúde e até educação, pois estavam sem dinheiro. Após isso, podem investir — ressalta.

3 – Títulos Públicos

Com o aumento da taxa Selic, hoje em 3,5%, as aplicações de renda fixa pós-fixadas vão elevar seu rendimento.

Se você quer apostar em um investimento mais seguro, os títulos públicos como o Tesouro Selic, o Tesouro IPCA, que rende uma taxa mais a inflação até o vencimento do título, são opções.

— Se a pessoa quiser se proteger dessa alta da inflação, pode ser indicado aplicar em títulos públicos associados ao IPCA. Já tem título público pagando IPCA + 3,5%. Já seria um ganho real — afirma Fortunato.

Ainda existem os prefixados, que pagam uma taxa combinada no momento da aquisição, mas esses apresentam um risco maior, pois o juro básico pode subir acima da taxa prefixada antes do vencimento do papel.

A alta da Selic, no entanto, ainda é pequena, o que reforça o trabalho do contribuinte em busca da melhor opção.

No caso dos títulos públicos, é necessário prestar atenção ao prazo de vencimento do papel, pois um resgate no momento errado pode fazer você perder dinheiro.

— A taxa de risco é muito pequena nesses títulos, mas você pode antecipar no momento errado e pagar uma taxa de desconto maior — disse Filipe Pires, coordenador do MBA de finanças do Ibmec RJ.

4 – CBDs

Além do Tesouro Direto, existem Certificados de Depósito Bancário (CBDs) de bancos médios e pequenos, mas a chance de calote é maior. Essas opções são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma espécie de seguro até o valor de R$ 250 mil por CPF. Nesses casos, também é necessário alinhar o seu objetivo com o prazo de vencimento do papel.

Outras opções de crédito privado são as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Imobiliários (LCIs). Estas também são cobertas pelo FGC e são isentas de IR.

A dica nesses casos é ver a qualidade do emissor do crédito.

5 – Bolsa

Se você possui um perfil de investimentos que aceita correr mais riscos, a Bolsa também é uma opção. Com a permanência da Selic em um patamar baixo por meses e o aumento de liquidez na economia por conta da crise da Covid-19, o número de pessoas físicas na B3 deu um salto em 2020.

Mas como alertam os especialistas, ao mesmo tempo em que traz mais retorno, o mercado de renda variável possui mais riscos. Como destaca Pires, a melhor opção é buscar papéis de diferentes setores e com pouca correlação.

No mercado de capitais, ainda há a opção pelo mercado de dívida privada, como debêntures, títulos de crédito que são emitidos por companhias em troca de uma rentabilidade, recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA), entre outros.

De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as emissões desses títulos somaram R$ 68,6 bilhões no primeiro trimestre de 2021, a melhor marca da série histórica, que começou em 2011.

Mesmo que sejam considerados investimentos de renda fixa, os títulos de crédito privado oferecem mais rentabilidade, mas com risco maior, já que está atrelado à capacidade de pagamento da empresa.

No caso do Tesouro Direto, o risco é vinculado ao governo, o que significa possibilidade quase zero de calote.

— Esteja atento ao rating (nota de crédito) da empresa. Quanto maior ele for, menor será o risco — disse Pires, destacando a necessidade de se pesquisar bem o histórico da da companhia antes de adquirir esses títulos.

6 - Diversificar

Um ponto pacífico entre os analistas é a busca pela diversificação. Mesmo que você tenha um perfil mais conservador ou mais arrojado, busque sempre alocar seu dinheiro no maior leque de possibilidades que tiver ao seu alcance.

— O contribuinte pode colocar o dinheiro que precisa nos investimentos mais seguros, tais como os índices atrelados à Selic. Já aquela quantia que não é emergencial, mas que ele gostaria que rendesse mais e olhando para o longo prazo, aí é recomendável o investimento em renda variável — resume Fortunato.

Ferramenta on-line tira dúvidas

O GLOBO lançou uma ferramenta on-line, um chatbot, para tirar dúvidas dos leitores sobre como declarar empréstimos, auxílio emergencial, redução de jornada, entre outros temas. Veja abaixo.

Tutoriais e reportagens sobre o Imposto de Renda podem ser encontrados no ambiente especial do site do GLOBO: oglobo.com.br/economia/imposto-de-renda.

O GLOBO também oferece um serviço de tira-dúvidas. Perguntas podem ser enviadas para o e-mail IR2021@oglobo.com.br e serão respondidas por especialistas da área de Imposto de Renda da EY, em entrevistas semanais ao vivo nas páginas do GLOBO no YouTube, no Facebook e no LinkedIn. As 'lives' serão sempre às terças-feiras, às 19h.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos