Irã x Estados Unidos: 3 pontos para entender a rivalidade fora de campo

A última vez que Irã e Estados Unidos se enfrentaram foi em 1998, na Copa da França, quando o Irã ganhou por 2 a 1. (Foto: Darren Walsh / Action Images)
A última vez que Irã e Estados Unidos se enfrentaram foi em 1998, na Copa da França, quando o Irã ganhou por 2 a 1. (Foto: Darren Walsh / Action Images)
  • Irã e Estados Unidos se enfrentam hoje, às 16h, na Copa do Mundo;

  • Países são inimigos geopolíticos de longa data;

  • Eles só entraram em campo juntos uma vez, em 1998.

Os olhos do mundo inteiro já estão voltados para um jogo da Copa que vai bem além de futebol. Rivais dentro e fora de campo, Irã e Estados Unidos se enfrentam em busca de uma classificação para a próxima fase e levantam curiosidade sobre como será esse encontro entre os inimigos geopolíticos de longa data.

A última vez que ambas as Seleções se enfrentaram foi em 1998, na França. O confronto chegou a receber tratamento de segurança máxima, mas as equipes trouxeram mensagens pacíficas e o duelo ficou conhecido como “jogo da paz”. Na ocasião, o Irã ganhou de 2x1.

Se esse cenário irá se repetir, só ligando a TV para acompanhar a transmissão da partida. Mas fora de campo, a relação entre os países não é das melhores. Desde 2020, quando o então presidente Donald Trump deu ordens diretas às forças americanas para bombardearem o aeroporto de Bagdá – o que resultou na morte de dois dos mais importantes líderes iranianos - o governo rival promete vingança.

3 pontos para entender a rivalidade de Irã e EUA fora de campo

Início da inimizade

Você pode estar se perguntando: como foi que começou a grande briga entre Estados Unidos e Irã? Para responder a esta pergunta, é preciso voltar ao ano de 1953. Na época, os países viviam de forma amistosa e em aliança.

Mas tudo mudou quando os norte-americanos programaram um golpe de Estado para depor o primeiro-ministro iraniano democraticamente eleito, Mohammed Mossadegh. O objetivo era restaurar a monarquia no país com a ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi.

A operação, nomeada de ‘Ajax’, deu certo e se tornou um dos pilares para a crescente inimizade. O apoio dos EUA e o autoritarismo de Pahlevi fizeram com que estourasse a Revolução Islâmica de 1979.

Pacote de sanções

Em fevereiro de 1979, o Irã recebeu de volta o aiatolá Ruhollah Khomeini, que estava exilado na França por não concordar com o governo de Pahlevi. Ele foi o responsável por dar início à queda do monarca e à instauração da República Islâmica do Irã.

Naquele mesmo ano, um grupo de manifestantes invadiu a embaixada americana em Teerã e fez 52 diplomatas e cidadãos norte-americanos reféns por 444 dias. Foi aí que começou o longo histórico de sanções, aplicadas pelos EUA ao Irã. Em 1980, o país do Ocidente cortou qualquer relação diplomática com o rival do Oriente Médio – o que se mantém até hoje.

Os reféns só são liberados em janeiro de 1981, após a assinatura dos Acordos de Argel, que determinavam que os EUA não interfeririam na política ou militarmente em assuntos internos iranianos.

Três anos mais tarde, no entanto, o governo de Ronald Reagan define o Irã como país patrocinador do terrorismo e lança novas sanções, além de se opor à importação de produtos no país e recebimento de empréstimos internacionais. Ainda no mandato de Reagan, os EUA apoiam Saddam Hussein na guerra entre Iraque e Irã, permitindo que armas químicas fossem usadas contra os iranianos.

Tensão chegou a baixar

As relações entre Irã e EUA só voltaram a se estreitar no governo Barack Obama. Ele e o presidente iraniano Hassan Rouhani mantinham contato telefônico, o que não acontecia desde 1970.

Na época, foi firmado um acordo nuclear entre Irã e países como EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha, de forma a suspender as sanções econômicas impostas pelos norte-americanos caso o país do Golfo se comprometesse a parar o programa de produção de bombas atômicas.

O acordo foi cumprido por três anos, quando foi rompido por Trump após sua eleição em 2018. Hoje, enquanto os EUA alertam que irão invadir o Irã, o último promete fechar o acesso ao Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo.

Com informações do UOL