Blinken diz que ataques dos EUA contra grupos pró-Irã são 'forte mensagem' de dissuasão

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse que os ataques aéreos de seu país no Iraque e na Síria devem enviar uma mensagem "forte" de dissuasão para que não continuem atacando as forças americanas nessa região, depois que Bagdá criticou os bombardeios.

"Esta ação em legítima defesa para fazer o que é necessário para prevenir novos ataques é uma mensagem muito importante e forte", disse Blinken à imprensa em Roma.

Segundo o Pentágono, os ataques mataram vários combatentes e foram uma represália por ações semelhantes contra interesses americanos no Iraque nos últimos meses, as quais os Estados Unidos atribuem a facções iraquianas leais ao Irã, inimigo de Washington.

Os ataques ocorreram paralelamente aos esforços para que o governo dos Estados Unidos retorne ao acordo nuclear com o Irã, que ofereceria a Teerã um alívio das sanções em troca de seu compromisso de não desenvolver armas nucleares e de reduzir drasticamente seu programa nuclear.

Em Bagdá, o primeiro-ministro iraquiano Mustafah al-Kazimi denunciou em um comunicado uma "violação flagrante da soberania" de seu país e pediu para "evitar a escalada".

Também reiterou sua rejeição ao uso do Iraque como "território de ajuste de contas".

Há anos, Bagdá alerta sobre o risco de que seus dois principais aliados, Irã e Estados Unidos, usem seu território como campo de batalha para ajustar contas, em um contexto de contínua tensão pela questão nuclear.

Na madrugada desta segunda-feira e por ordem do presidente americano Joe Biden, a aviação apontou para centros operacionais e depósitos de armas em dois lugares da Síria e um do Iraque, instalações usadas pelas milícias que contam com o apoio do Irã, anunciou o Pentágono.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), os ataques destruíram um armazém e uma posição dos milicianos iraquianos de Hashd al-Shaabi, perto da cidade de Bukamal no leste da Síria, próximo à fronteira iraquiana.

Ao menos sete combatentes iraquianos morreram, informou a ONG que tem uma ampla rede de fontes de informação na Síria, devastada pela guerra, onde várias milícias armadas estrangeiras lutam junto ao governo contra os rebeldes e os extremistas.

- "Vingança" -

A Hashd al-Shaabi, uma aliança paramilitar, confirmou a morte de quatro de seus membros em ataques na região de Al Qaim, no oeste do Iraque, perto da fronteira com a Síria.

Os combatentes estavam "cumprindo sua missão habitual de impedir a infiltração" de extremistas da Síria, disse Hashd al-Shaabi em um comunicado, no qual afirmou que "não estavam envolvidos em nenhuma atividade hostil à presença estrangeira no Iraque."

"As posições bombardeadas não abrigavam nenhum depósito, ao contrário das alegações dos Estados Unidos", acrescentou.

O Pentágono afirmou que os alvos eram "instalações" usadas pelas milícias envolvidas em "ataques com veículos aéreos não tripulados (UAV) contra funcionários e instalações americanas no Iraque".

Não ficou claro de imediato se as quatro mortes anunciadas pela Hashd estavam incluídas ou não no número de mortos do OSDH.

A Hashd al-Shaabi nega ter agido fora do Iraque, mas algumas de suas facções com base no leste da Síria lutam - em seu próprio nome - junto ao governo de Assad.

"Vingaremos o sangue de nossos mártires (...). Já dissemos que não nos calaremos diante da presença das forças de ocupação", ameaçou a Hashd em outro comunicado.

- Drones -

De acordo com analista, a Hashd, que se integrou há alguns anos às tropas regulares, tem um grande poder no Iraque, um país sobre o qual o Irã possui forte influência e onde os Estados Unidos ainda mantêm cerca de 2.500 soldados.

Após os ataques, o Irã acusou os Estados Unidos de "perturbar a segurança regional".

Por outro lado, o ministro francês das Relações Exteriores Jean-Yves Le Drian reafirmou "o apoio da França à estabilidade e à soberania do Iraque", condenando os "ataques inaceitáveis (...) contra os interesses da coalizão", disse um porta-voz do Quai d'Orsay.

A operação americana é a segunda deste tipo contra as milícias pró-iranianas na Síria desde que Joe Biden assumiu o cargo em janeiro. Quase 20 combatentes morreram no primeiro ataque de fevereiro.

Desde o início de 2021, mais de 40 ataques com foguetes ou drones tiveram como alvos os interesses dos Estados Unidos no Iraque, e Washington culpa as facções pró-iranianas.

A Hashd se mostra contente com os atentados contra os Estados Unidos, mas não reivindica sua autoria.

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