Iraque tem novo governo, chefiado por Mustafá al Kazimi

Por Maya GEBEILY
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Reprodução de imagem de vídeo do primeiro-ministro designado iraquiano, Mustafá al Kazimi, durante discurso à nação, em 9 de abril de 2020
Reprodução de imagem de vídeo do primeiro-ministro designado iraquiano, Mustafá al Kazimi, durante discurso à nação, em 9 de abril de 2020

Mustafá al Kazimi, ex-chefe dos serviços de Inteligência, obteve na noite desta quarta-feira (6) o voto de confiança do Parlamento do Iraque para seu novo governo, que deve pôr fim a cinco meses de crise política em um país já afetado pela crise econômica.

Dos 329 legisladores, apenas 255 estiveram presentes para votar, usando máscaras e luvas por causa da pandemia do novo coronavírus.

Por enquanto, no gabinete de Kazimi os ministérios das Relações Exteriores e do Petróleo estão vagos.

O novo premier, de 53 anos, é uma rara personalidade política no Iraque, pois tem excelentes relações tanto com os Estados Unidos quanto com o Irã, duas potências inimigas, mas muito influentes no país.

O voto do Parlamento pôs fim ao mandato de Adel Abdel Mahdi, o primeiro chefe de governo a deixar o cargo antes do fim do mandato depois de Saddam Hussein e que renunciou cinco meses atrás.

Os deputados também deram voto de confiança a 15 membros de um gabinete normalmente composto por 22 ministérios.

- Transição a eleições -

O ministério do Interior ficará com o general Otman al Ghanemi, chefe do estado-maior da Defesa, que era regularmente visto na Síria com militares iranianos e russos para coordenar a luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Enquanto isso, à frente do ministério dos Esportes e Juventude ficará o popular Adnane Dirjal, ex-capitão da seleção iraquiana de futebol, e o ministério das Finanças será comandado por Ali Allawi, acadêmico e ex-ministro.

Kazimi assegurou que queria gerenciar "a transição" antes das "eleições antecipadas" para as quais não deu um prazo e destacou que estava a par "das crises que se seguem e acumulam desde 2003", quando ocorreu a invasão americana ao país.

Em outubro passado, o Iraque foi cenário de uma revolta popular sem precedentes pela espontaneidade e a escala, exigindo uma renovação do sistema político e de todos os seus dirigentes. O governo respondeu com repressão, que deixou mais de 550 mortos, e um plano para a realização de eleições antecipadas sem especificar a data ou os detalhes.

Desde então, o país esteve mergulhado em uma crise política. O Parlamento só se reuniu uma vez recentemente, no começo do ano, para votar a expulsão das tropas americanas em represália ao assassinato do general iraniano Qassem Soleimani por Washington.

Os deputados não aprovaram as principais reformas exigidas pelos manifestantes, nem estudaram o orçamento para 2020, que ainda não foi aprovado, mas já foi reduzido em seu maior aporte: o do petróleo, que representa mais de 90% da receita estatal.