Irlanda do Norte inicia investigação sobre casas para mães solteiras

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A comissão foi criada em 2015 para expor o alto nível de mortalidade infantil registrado nesses lugares

A província britânica da Irlanda do Norte realizará uma investigação sobre as antigas casas para mães solteiras, pelas quais a vizinha República da Irlanda apresentou recentemente desculpas oficiais, anunciou o governo regional nesta terça-feira (26).

Na Irlanda do Norte, 10.500 mulheres passaram por oito instituições entre 1922 e 1990, segudo dados coletados a pedido do governo norte-irlandês.

No entanto, "restam muitas perguntas sem resposta, e queremos trabalhar com as vítimas para garantir que recebam o apoio adequado", anunciou a primeira-ministra norte-irlandesa, Arlene Foster.

No país vizinho, com o qual possui estreitos laços culturais, o primeiro-ministro Micheál Marti emitiu há duas semanas uma desculpa oficial do Estado por este escândalo, após a publicação de uma investigação que revelou que 9.000 crianças morreram nesses estabelecimentos estatais administrados por freiras católicas entre 1922 e 1998.

As mães solteiras, às vezes vítimas de estupro e incesto, davam à luz nessas instituições antes de serem frequentemente separadas de seus filhos, que eram dados na adoção.

"Hoje nos comprometemos com os sobreviventes, não serão mais silenciados", garantiu Foster.

As mulheres internadas nessas instituições da Irlanda do Norte foram estigmatizadas pela gravidez fora do casamento e davam à luz "em condições frias e punitivas", segundo o governo norte-irlandês.

"As perguntas sobre as taxas de adoção e mortalidade infantil continuam sem resposta e devem ser estudadas", acrescentou.

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