Irlanda do Norte se despede de David Trimble, artífice do Acordo da Sexta-Feira Santa

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Os primeiros-ministros britânico, Boris Johnson, e irlandês, Micheal Martin, juntaram-se à classe política da Irlanda do Norte nesta segunda-feira (1º) para se despedir David Trimble, ex-líder da Irlanda do Norte e vencedor do Prêmio Nobel da Paz que ajudou a pôr fim a décadas de conflito.

O ex-chefe do governo local norte-irlandês faleceu na última segunda-feira (25), aos 77 anos.

O anúncio de sua morte - após uma doença devastadora - provocou uma avalanche de homenagens, em reconhecimento ao seu trabalho incansável para reconciliar protestantes e católicos nesta província britânica. Este conflito deixou cerca de 3.500 mortos e chegou ao fim com o Acordo da Sexta-feira Santa, firmado em 1998.

Apesar das profundas divisões agravadas pelo Brexit, os representantes da classe política da Irlanda do Norte se reuniram para seu funeral, nesta segunda-feira (1º), na Igreja Presbiteriana Harmony Hill, em Lisburn, sudoeste de Belfast.

Ao lado da família, estavam presentes unionistas - lado do qual Trimble fazia parte -, mas também republicanos, assim como a líder do Sinn Fein, Michelle O'Neill. Ela deve dirigir o próximo governo de unidade, após a histórica vitória de sua legenda nas eleições de maio.

"A amplitude daqueles que se reuniram para homenageá-lo reflete não apenas o impacto de David no cenário político, mas também a marca que ele deixou nesse cenário e o legado que deixou para todos", disse a reverenda Fiona Forbes na cerimônia.

Este político unionista britânico era um dos últimos líderes da Irlanda do Norte ainda vivos que assinaram o Acordo da Sexta-Feira Santa.

Em 1998, junto com o antigo dirigente católico John Hume, Trimble ganhou o Prêmio Nobel da Paz por "seus esforços para encontrar uma solução pacífica" para o conflito.

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, que trabalharam com Trimble para levar paz à Irlanda do Norte, elogiaram a coragem política do líder unionista, após a notícia de seu falecimento.

- 'Resistir às críticas' -

"Não teria havido paz sem ele", disse Blair, no poder em 1998, em entrevista à BBC Ulster, na manhã de segunda-feira.

O ex-líder britânico insistiu no "caráter que ele precisou ter para resistir a todas as críticas que recebeu, às ameaças que ele sofreu contra a própria vida".

O ex-primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, que também ajudou a transformar o acordo histórico em realidade, disse que a postura de Trimble, à época, tornou a paz possível.

Ao anunciar a morte de Trimble, a família disse que o ex-primeiro-ministro "morreu em paz".

Desde então, livros de condolências foram abertos na Irlanda do Norte.

Na sede do governo da província, mergulhada em uma prolongada crise política após as eleições de maio, uma coroa de flores foi colocada na frente de um retrato de Trimble.

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