Irmão de Witzel, governador afastado do Rio, é preso no interior de SP

Aline Ribeiro
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SÃO PAULO - O sargento da Polícia Militar de São Paulo Douglas Renê Witzel foi preso nesta quinta-feira, em Jundiaí, em operação de combate ao crime organizado. Douglas é irmão do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

Batizada de Rebote, a operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, tem como foco reprimir a facção criminosa que atua nos presídios paulistas. Segundo as investigações, iniciadas em setembro de 2020, a maioria dos investigados ocupava funções de liderança regional e estadual em oito cidades do interior de São Paulo.

Também nesta quinta-feira, a Corregedoria da Polícia Militar cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva de policiais militares suspeitos de envolvimento com o esquema. De acordo com o Inquérito Policial Militar, ao qual o GLOBO teve acesso, os agentes deram cobertura para os criminosos em furto de caixas eletrônicos dentro de um supermercado.

De início, o sargento Douglas Witzel era alvo de um mandado de busca e apreensão em decisão da 1ª auditoria do Tribunal de Justiça Militar. Uma das suspeitas é que ele repassava informações de operações policiais para criminosos ligados à facção.

Durante as buscas, entretanto, policiais encontraram em sua casa um revólver calibre .38, com a numeração raspada e municiado com 6 cartuchos intactos; um simulacro de pistola; e uma munição íntegra calibre .32, além de dezenas de cartuchos deflagrados.

Ao ser questionado, Douglas alegou que não sabia que o revólver estava lá guardado e que tal armamento pertencia ao sogro dele, já falecido. Ele foi preso em flagrante, levado para a delegacia e, posteriormente, encaminhado para o presídio militar Romão Gomes. Será ouvido pela Justiça amanhã, em audiência de custódia. A reportagem não conseguiu contato com sua defesa.

Segundo o MP, foram expedidos 18 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. Já pela Corregedoria da Polícia Militar, houve expedição de dois mandados de prisão para policiais militares e 13 de busca e apreensão. Até o momento, as autoridades apreenderam diversos materiais relacionados à organização criminosa investigada: armas de fogo, entorpecentes, aparelhos de telefone celular e cerca de R$ 60 mil em espécie.