Irritado com jornalistas, Padre Kelmon nega ser 'linha auxiliar' de Bolsonaro

Padre Kelmon foi acusado por outros candidatos, durante o debate na TV Globo, de ser 'linha auxiliar' de Jair Bolsonaro
Padre Kelmon foi acusado por outros candidatos, durante o debate na TV Globo, de ser 'linha auxiliar' de Jair Bolsonaro

O candidato do PTB à Presidência, Padre Kelmon, se irritou com jornalistas ao ser questionado se não seria mais lógico o partido integrar a coligação de apoio à reeleição de Jair Bolsonaro do que "fazer dobradinha" com o presidente.

No debate promovido pela TV Globo entre quinta-feira (29) e o início desta sexta (30), o autointitulado sacerdote fez diversos elogios ao atual governo federal e dirigiu críticas à postulantes à esquerda, como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem chegou a discutir fora dos microfones - o petista o chamou de "laranja". O candidato negou, porém, que tenha servido de apoio ao atual presidente.

"É você que está me acusando disso", afirmou a uma repórter.

"Na verdade eu fui atacado por um ex-presidente que se diz cristão. Ele é cristão de onde? Ele criou uma igreja, a dele? Hoje vemos padres atacados por políticos que se dizem cristãos. Quem entende de laranja é ele, eu entendo de evangelho".

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Ainda na ocasião, a candidata do União Brasil, Soraya Thronicke, que se destacou ao chamar Kelmon de "padre de festa junina" durante o debate, também teceu críticas ao petebista.

"Debater com uma pessoa que não tem educação é difícil, acho que foi lastimável. É uma candidatura esquisitíssima, que faz campanha para outro candidato. Não tem como esconder aquilo", afirmou.

A outra candidata, presente no debate, Simone Tebet do MDB, também criticou o nível do evento e afirmou que, se pareceu mais condescendente com Lula do que com Bolsonaro, isso se deveu às perguntas que fez a ou recebeu deles.

"Triste o Brasil que tem que escolher entre os escândalos do mensalão e do petrolão, do governo passado, e do tratoraço e da vacinaçao do atual governo. Agora, o atual presidente extrapola qualquer limite. Ele veio com uma pergunta que deveria ser feita ao ex-presidente, covardemente fez para mim e ouviu o que tinha que ouvir", afirmou, referindo-se à questão sobre a morte de Celso Daniel.

Já o candidato do PDT, Ciro Gomes, afirmou que Lula e Bolsonaro "amarelaram". Depois, referiu-se a Bolsonaro.

"Pelo menos um deles amarelou feio, que foi o Bolsonaro. Ele teve oportunidade (de fazer pergunta a Lula) e fugiu". Para o pedetista, "a fricção entre os dois (Lula e Bolsonaro) só produziu resultados negativos aos dois". Assim como Simone Tebet, Ciro afirmou acreditar na mudança de voto e nos indecisos para mudar o atual quadro de intenções de voto.

Com participação de Jair Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil), Felipe d'Avila (Novo) e Padre Kelmon (PTB), o debate na TV Globo foi o último antes do primeiro turno das eleições presidenciais.