Isa Penna pede suspeição de Alex de Madureira em conselho que analisa assédio na Alesp

MÔNICA BERGAMO
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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 14.01.2021 - A deputada Isa Penna (PSOL). (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 14.01.2021 - A deputada Isa Penna (PSOL). (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A deputada estadual paulista Isa Penna (PSOL) encaminhou um requerimento à Comissão de Ética da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) pedindo a suspeição de Alex de Madureira (PSD), que integra o colegiado, no julgamento do deputado Fernando Cury (Cidadania).

Cury apalpou Penna durante sessão da Casa em dezembro do ano passado. Ele conversava com Alex de Madureira segundos antes de aproximar-se de Penna e chegou a ter seu braço puxado pelo colega do PSD. O episódio foi registrado em vídeo.

No requerimento encaminhado nesta segunda-feira (8), a parlamentar do PSOL afirma que Madureira presenciou o ocorrido e, portanto, figura como testemunha na apuração do caso.

"O deputado Alex de Madureira deveria testemunhar sobre os fatos e não fazer parte de seu juízo de admissibilidade e de mérito que será realizado por este conselho, já que se encontra suspeito", diz o documento.

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) já havia feito um manifesto em que pedia a substituição de Madureira na comissão e chegou a colher assinaturas.

O processo que pode resultar na cassação do mandato de Cury começou a tramitar na Alesp na semana passada, cerca de um mês e meio após Penna ter denunciado o parlamentar por assédio.

Apenas após a manifestação da defesa do deputado será definido o relator do caso, que tem um prazo de 15 dias corridos para apresentar um parecer. Neste período, evidências e testemunhos adicionais podem ser solicitados.

A cassação é a pena mais grave prevista no regimento. O deputado também pode ser advertido verbalmente, censurado (verbalmente ou por escrito) ou ter seu mandato suspenso temporariamente. O caso pode ainda ser arquivado sem punição.

O Ministério Público de São Paulo também conduz uma investigação sobre o caso. Na última segunda (1º), o órgão comunicou que designou as oitivas de Giannazi e de Madureira.

Sob a alegação de que houve violação do direito à defesa, os advogados de Cury entraram com recurso contra a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo de autorizar a abertura da investigação pelo Ministério Público. O deputado tem foro especial por prerrogativa de função.