Isabel dos Santos diz que sua fortuna foi congelada por assinatura falsa do ator Bruce Lee

(Arquivo) Empresária angolana Isabel dos Santos em 5 de fevereiro de 2018.

A empresária angolana Isabel dos Santos disse nesta terça-feira que parte de seus ativos foi congelada em seu país e em Portugal como parte de uma vasta investigação por desvio de fundos públicos com base em documento falso.

A filha bilionária do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos (1979-2017) foi acusada pela justiça de saquear os cofres de seu país para alimentar seus negócios privados.

Segundo o gabinete do procurador-geral angolano encarregado do caso, o governo de Luanda estima que foram desviados 5 bilhões de dólares.

Dos Santos, de 47 anos, dirige um império formado por empresas que operam em telefonia e mineração e ações em outros grupos, principalmente bancos, em Portugal.

Os tribunais angolano e português ordenaram o congelamento de suas contas bancárias e a apreensão de alguns ativos nos dois países.

Em comunicado divulgado por uma assessoria de comunicação, Isabel dos Santos acusou os procuradores encarregados da investigação nesta terça-feira de terem ordenado essas sanções com base em um "passaporte falso".

"A cópia de um passaporte falso foi usada para fabricar provas nos tribunais angolanos. As autoridades angolanas e portuguesas contaram com um passaporte assinado por Bruce Lee, o ator de kung fu dos anos 1970", assegura o texto.

Dos Santos postou uma foto do suposto documento em sua conta do Twitter. "Tendo em conta as falsas evidências, agora está claro que o Estado angolano produziu um dossiê para obter uma decisão injusta e ilegal contra mim", lamenta a empresária.

- "Piada" -

Segundo o comunicado, o documento em questão foi descoberto por seus advogados no final de abril, quando eles tiveram acesso ao processo investigativo.

Procurado pela AFP, o porta-voz do procurador-geral angolano, João Álvaro, responsável pelo caso, chamou as acusações de Dos Santos de "piada".

Em comunicado publicado à noite, a Procuradoria Geral da República especificou que o passaporte apresentado como falso por Isabel dos Santos era "precisamente o objeto de uma investigação para verificar sua autenticidade", enquanto o congelamento de seus ativos se baseou em outros "documentos que indicavam desvios" de fundos.

Além disso, segundo a procuradoria, os bens congelados em Portugal foram ordenados com base em uma decisão judicial à qual "nenhuma cópia do passaporte foi anexada".

Durante os trinta e oito anos no poder de José Eduardo dos Santos, a economia do país, uma das mais pobres do mundo, apesar de suas reservas de petróleo, esteve à disposição de pessoas próximas a ele.

O atual presidente João Lourenço limpou as instituições, empresas públicas e o aparato de segurança do país como parte de sua campanha para combater a corrupção.

Além de Isabel dos Santos, seu meio-irmão José Filomeno, ex-presidente do fundo soberano angolano, também é acusado de peculato.