Isenção de impostos prometida por Bolsonaro só dará alívio de R$ 0,34 no preço do diesel, que já subiu R$ 0,56 este ano

Bruno Rosa
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O anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro de isentar a cobrança de PIS e Cofins no preço do diesel por dois meses está longe de absorver a alta no preço do combustível neste ano. De acordo com cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a redução no preço final é de cerca de R$ 0,34 com a isenção dos impostos federais.

No ano, o diesel acumula alta de R$ 0,56. Ou seja, absorve pouco mais da metade do aumento desde janeiro.

Ontem à noite, Bosonaro disse ainda que "algo vai acontecer" na estatal, em resposta ao reajuste promovido na gasolina e no diesel na parte da manhã.

Segundo a Petrobras, os impostos federais, como PIS e Cofins, além do Cide (que está zerado desde 2018), representam 8% no preço final do diesel vendido no posto. O diesel conta com três reajustes no ano, cujo preço médio subiu de R$ 2,02 para R$ 2,58 por litro nas refinarias.

Segundo economistas, a isenção de dois meses terá um impacto nas contas públicas de cerca de R$ 3 bilhões.

- É um efeito limitado no preço final do diesel. A redução do PIS e Cofins absorve apenas o último reajuste do diesel, que foi de R$ 0,34 - disse Rodrigo coordenador técnico do Ineep. - É importante que o governo adote medidas fiscais para conter o aumento dos combustíveis, mas caso não se pense em nenhuma medida do ponto de vista estrutural, os preços continuarão sensíveis a qualquer movimento externo.

O peso dos tributos federais na composição final do preço é a menor. Acima estão os 14% do ICMS, mesmo percentual da margem da distribuição e revenda. O custo do biodiesel que é misturado ao diesel tem custo de 13% no preço. A margem da Petrobras representa 51% do preço final.