Islamitas radicais destroem mausoléus muçulmanos na Líbia

Fundamentalistas islâmicos demoliram neste sábado com uma escavadeira parte do mausoléu de um santo muçulmano em Trípoli, constatou um jornalista da AFP, um dia depois da destruição do principal sepulcro do país, no oeste da Líbia.

Vários integralistas islâmicos usaram uma escavadeira para derrubar parte do Mausoléu de Al Shaab al Dahmani, perto do centro da capital líbia, e profanaram o túmulo deste sábio, um local de peregrinação para muçulmanos.

Na véspera, dezenas de fundamentalistas explodiram o Mausoléu do xeque Abdesalem al Asmar, um teólogo sufi do século XVI, em Zliten, 160 km a leste de Trípoli, cenário desde quinta-feira de enfrentamentos.

Uma biblioteca e uma universidade que levam o nome do xeque Al Asmar também foram alvo de atos de vandalismo e saques.

Várias testemunhas igualmente denunciaram que outro mausoléu, do xeque Ahmed al Zarruk, foi destruído em Misrata, 200 km a leste de Trípoli.

Os integralistas se opõem a estes mausoléus erguidos em memória dos santos por serem alvo de "veneração", o que, a seu ver, contradiz a unidade divina (Deus é o único), um preceito fundador do Islã.

Pelo Twitter, o vice-primeiro-ministro, Mustafá Abu Shakur, classificou a destruição dos mausoléus como "crimes" cujos autores "serão considerados responsáveis".

Em outro twit, afirmou ter "pedido ontem aos ministérios de Defesa e do Interior que intervenham, mas eles não cumpriram com seu dever de proteger estas regiões".

Dar Al Ifta, principal autoridade religiosa na Líbia, afirmou em um comunicado que a profanação de tumbas, tanto as muçulmanas como as demais, é contrária ao islã, mas não se pronunciou explicitamente sobre a destruição dos mausoléus.

Um membro eminente da comunidade sufi líbia, Osama Bwera, denunciou "a ignorância dos profanadores que se dizem salafistas".

Desde a quinta-feira à noite acontecem enfrentamentos em Zliten que já deixaram três mortos.

A causa destes distúrbios é desconhecida. Algumas fontes afirmam que elas estouraram devido a um assassinato e outras dizem que se trata de enfrentamentos entre partidários e opositores à destruição do mausoléu.

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