Isolamento político, crise econômica e reação do STF: entenda os motivos por trás do recuo de Bolsonaro

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BRASÍLIA — Dois dias depois de elevar a crise institucional ao maior patamar até então, o presidente Jair Bolsonaro freou a ofensiva contra o Judiciário e divulgou uma carta em que atribuiu seus xingamentos e ameaças contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a um arroubo provocado pelo “calor do momento”. No documento, intitulado “Declaração à Nação” e redigido com a ajuda do ex-presidente Michel Temer, ele sustenta ainda que não teve a intenção de agredir outros Poderes. O gesto, embora tenha aliviado a tensão por ora, foi visto com ceticismo na Corte.

A guinada de 180 graus de Bolsonaro ocorreu após uma campanha inciada por alguns de seus auxiliares de primeiro e segundo escalões logo após os atos de 7 de setembro. Os ministros Ciro Nogueira, da Casa Civil; e Flávia Arruda, da secretaria de Governo, assim como o advogado-geral da União, Bruno Bianco, transmitiram ao chefe que o esgarçamento da relação com o STF, principalmente, e o Legislativo havia atingido níveis insustentáveis. Ainda assim, mesmo interlocutores próximos de Bolsonaro foram pegos de surpresa pela carta.

O movimento guarda relação direta com a forte e quase imediata repercussão negativa do ataques presidenciais. Entre as consequências, o assunto impeachment subiu de temperatura da Câmara, e medidas importantes para conter a escalada da crise econômica, como a construção de uma saída para o aumento dos precatórios em 2022, em negocião no Supremo, emperraram.

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