Isolamento vertical contra coronavírus depende de rastreamento e testes amplos

PHILLIPPE WATANABE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nos últimos dias, com a expansão dos casos do novo coronavírus e principalmente após falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), teve início uma discussão sobre a efetividade do isolamento horizontal e a possibilidade de isolar as pessoas verticalmente.

O isolamento vertical, defendido por Bolsonaro, falhou nos países que o tentaram. A ideia é isolar idosos e pessoas com doenças (como moléstias cardiorrespiratórias, diabetes ou câncer), que são os grupos de risco da Covid-19.

Junto a esse tipo de isolamento, contudo, é necessário uma intensa política de rastreamento e testes do novo coronavírus. Considerando a escassez de testes e o número de contaminados atualmente no Brasil (quase 3.000), valor que sobe diariamente, a ação é difícil de ser colocada em prática. O rastreamento e a ampliação de testes, porém, apresentaram bons resultados na Coreia do Sul.

O Reino Unido inicialmente resistiu a adotar medidas mais restritivas e recomendou um isolamento vertical de maiores de 70 anos por quatro meses, além de proibir eventos públicos e orientar que as pessoas trabalhassem de casa quando possível. A posição do primeiro ministro inglês, Boris Johnson, mudou após um estudo apontar que, sem restrições mais amplas, o número de mortos no país poderia chegar a 250 mil.

A opção com alguma eficácia comprovada para o momento é o chamado isolamento horizontal. Trata-se, basicamente, de impedir a maior parte da movimentação dos cidadãos, independente da idade, de uma área, cidade, estado ou mesmo país. Com a medida, normalmente escolas, estabelecimentos comerciais e outros são fechados, mantendo-se somente serviços essenciais em atividade.

O isolamento horizontal, de forma geral, ajuda a diminuir a circulação do vírus e, consequentemente, reduz a quantidade de casos e a necessidade de hospitalizações.

Segundo uma pesquisa publicada recentemente, a adoção do isolamento horizontal em Wuhan, na China, epicentro da pandemia, e na província de Hubei pode ter reduzido em até 92% a gravidade que a epidemia teria no país asiático em meados deste ano.

Ao mesmo tempo em que o isolamento horizontal é mais efetivo, segundo as informações disponíveis mais recentes, sem dúvida há impactos econômicos associados.

Os países têm tentado minimizar esses impactos a partir de medidas econômicas, várias delas destinadas aos pequenos empresários e à população mais pobre. Em São Paulo, por exemplo, o governo isentou de conta de água 506 mil famílias por 90 dias.

No âmbito federal brasileiro, o Ministério da Economia pretende injetar R$ 147,3 bilhões para tentar minimizar os efeitos econômicos do novo coronavírus.