Israel adia estreia do governo de união após 500 dias de crise política

Por Guillaume LAVALLÉE
Fotomontagem criada em 18 de setembro de 2019 mostrando o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (à esquerda) e seu ex-rival eleitoral Benny Gantz (à direita)

Depois de 500 dias de escândalos, três eleições e inúmeras negociações, a posse do governo de união israelense, formado por Benjamin Netanyahu e seu antigo rival Benny Gantz, foi adiada de hoje para domingo, em meio a negociações sobre a distribuição dos ministérios.

"O senhor Netanyahu pediu ao senhor Gantz para adiar a posse, a fim de poder concluir a distribuição das pastas no Likud, o que Gantz aceitou", indicaram os dois lados em comunicado.

Os dois dirigentes, envolvidos por mais de um ano em uma disputa para governar, não conseguiram obter uma maioria e decidiram se unir para criar "um governo de união e emergência", que deverá recolocar o país nos trilhos após a crise do novo coronavírus.

O acordo prevê a manutenção de Netanyahu no cargo nos proximos 18 meses. Seu julgamento por corrupção começará no fim de maio. Após este período, Gantz assumirá como premier por um prazo semelhante. As pastas serão distribuídas igualitariamente entre os dois lados

Há uma liberdade absoluta para distribuir os ministérios entre os aliados, o que levou Gantz a convidar parte da esquerda a se unir ao governo. Netanyahu fez o mesmo com partidos ultraortodoxos.

"Tudo gira em torno da atribuição de cadeiras. Este governo não parece ter uma ideologia", assinalou hoje o jornal "Yediot Aharonoth", indicando que as negociações foram feitas de forma que "não haja nenhum debate substantivo".

- Anexação x economia -

Embora o acordo Netanyahu/Gantz preveja a apresentação, a partir de 1º de julho, de um plano para pôr em prática o projeto americano de resolução do conflito com os palestinos, as "diretrizes" do papel do futuro governo a respeito parecem confusas.

O plano prevê, em especial, a anexação por Israel de partes da Cisjordânia, território palestino ocupado desde 1967 pelo Estado hebreu. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, fez ontem uma rápida visita a Jerusalém para discutir o assunto em particular com Netanyahu, Gantz e o futuro chefe da diplomacia israelense, Gabi Ashkenazi.

Apesar de se terem filtrado muito poucos elementos destas conversas, as "diretrizes" do próximo governo não mencionam especificamente "a anexação", e sim fazem referência à necessidade de "fortalecer a segurança nacional e trabalhar pela paz".

O governo afirma, sobretudo, querer se concentrar em "reforçar a economia e aumentar a competitividade" em um contexto de desconfinamento. Com cerca de 9 milhões de habitantes, Israel registra oficialmente mais de 16,5 mil casos do novo coronavírus e 264 mortes.

O balanço continua sendo baixo em relação à Europa e América do Norte, mas resultou em um grande salto do desemprego, que passou de 3,4% antes da crise sanitária para 27%.