Israel anuncia nova colônia em Hebron após mudança da política americana

Por Guillaume LAVALLÉE
Escavadeira na rua Shuhada, em Hebron, na Cisjordânia ocupada

Israel anunciou neste domingo a construção de novas residências para colonos judeus no centro de Hebron, cidade da Cisjordânia ocupada, dentro de um programa que, segundo os palestinos, é o "primeiro resultado" da nova política dos Estados Unidos.

O anúncio, primeira medida concreta sobre as colônias desde que, no fim de novembro, o governo americano declarou que as mesmas não violam o direito internacional, é feito um dia depois de as forças israelenses matarem um palestino que lançava bombas incendiárias contra veículos israelenses perto daquela localidade, segundo autoridades de Israel.

O anúncio também é feito em um contexto particular, uma vez que os deputados israelenses parecem incapazes de chegar a um acordo para nomear o próximo chefe de governo, após as eleições de setembro, em que o atual premier, Benjamin Netanyahu, e seu rival, Benny Gantz, ficaram muito igualados, o que sugere que poderiam ser convocadas novas eleições.

Em uma tentativa de ganhar apoio nesta corrida, Netanyahu deixou o posto de ministro da Defesa e o cedeu a Naftali Bennet, deputado de ultradireita, que, como seu antecessor, tenta ganhar o eleitorado das colônias e, neste domingo, ordenou a seus funcionários que "notifiquem a prefeitura de Hebron de que será planejado um novo bairro judaico" no antigo mercado central, segundo um comunicado de seu ministério.

A cidade de Hebron é um barril de pólvora em que cerca de 800 judeus, a maioria por convicção ideológica, vivem entre 200 mil palestinos, em meio a uma forte proteção militar.

Os moradores palestinos de Hebron costumam se manifestar para que seja reaberta a rua Shuhada, antigo centro econômico da cidade velha, fechada devido ao fato de colonos viverem perto daquele local.

Após o massacre de dezenas de judeus por árabes em 1929, Hebron ficou sem judeus até o retorno dos mesmos, em 1967, quando Israel tomou o controle da Cisjordânia durante a Guerra dos Seis Dias.

Desde 1967, a colonização da Cisjordânia por Israel se mantém, ganhando força nos últimos anos, sob o impulso de Benjamin Netanyahu e do atual presidente americano, Donald Trump, seu aliado.

Mais de 600 mil israelenses vivem em colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que "carecem de base legal e constituem uma violação flagrante do direito internacional", segundo a resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU.

Os Estados Unidos, aliados de Israel, deram um giro, no fim de novembro, em sua política sobre as colônias, ao afirmarem que as mesmas não violam o direito internacional.

A decisão de construir novas residências para colonos em Hebron "é o primeiro resultado palpável da decisão americana de legitimar a colonização", reagiu o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat. "Medidas concretas, incluindo sanções contra as colônias, são uma responsabilidade internacional", assinalou.

"A decisão é ruim do ponto de vista da moral e da segurança, e a curto prazo, uma vez que a colônia de Hebron é uma amostra do rosto mais feio da política israelense de controle dos Territórios ocupados", comentou a ONG Paz Agora, que acompanha de perto este tema sensível.

Segundo Naftali Bennett, as colônias serão construídas onde existiu um mercado que geria a comunidade judaica há 90 anos, segundo o conselho local de colonos. "Recuperar as terras de pessoas mortas pelo prefeito assassino de Hebron é um ato de justiça histórica que o povo judeu espera há 90 anos", afirmou o conselho.