Israel assina acordo de livre comércio com os Emirados Árabes, o primeiro com um país árabe

Israel e Emirados Árabes Unidos assinaram, nesta terça-feira, um acordo de livre comércio que abrange praticamente todos os itens negociados entre as duas nações e que ficará marcado como o primeiro do gênero entre o governo israelense e o de um país árabe.

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Pelo plano, as tarifas relativas à importação e exportação de 96% dos bens comercializados entre os países serão reduzidas e eliminadas — entre os produtos estão alimentos, medicamentos, joias, fertilizantes e substâncias químicas. A maior parte dos cortes será adotada imediatamente, enquanto alguns itens passarão por um período de transição de até cinco anos.

O acordo é um dos principais resultados da normalização dos laços entre Israel e os Emirados Unidos, em setembro de 2020, através dos chamados Acordos de Abraão, patrocinados pela Casa Branca e que incluíram também o Bahrein. Desde então, as nações passaram a incrementar seus laços políticos e, especialmente, econômicos, algo percebido nos números do comércio bilateral.

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De acordo com o Ministério da Economia e Indústria de Israel, as trocas somaram US$ 1,2 bilhão em 2021, um salto considerável em relação aos anos anteriores à normalização de relações, como em 2020 (US$ 120 mi) ou 2010, quando o total foi de apenas US$ 1 milhão. Agora, os dois governos esperam que os valores aumentem ainda mais.

“Hoje assinamos um Acordo Abrangente de Parceria Econômica com Israel que se baseia nas fortes fundações criadas pelos Acordos de Abraão. Isso vai levar o valor [anual] de nosso comércio bilateral, excluindo o petróleo, para além de US$ 10 bilhões em cinco anos”, escreveu, no Twitter, o ministro do Comércio dos Emirados, Thani al-Zeyoudi. Para ele, se trata de “um novo capítulo na História do Oriente Médio”, que criará uma “nova era de paz, estabilidade e prosperidade pela região”.

Em uma série de publicações no Twitter, o premier israelense, Naftali Bennett, celebrou o fato de ser o primeiro acordo do tipo celebrado entre seu país e um Estado árabe e revelou ter acertado com o líder Mohammad bin Zayed formas de acelerar o processo até que o texto final fosse redigido e aprovado. Essa conversa ocorreu durante uma reunião de cúpula entre os líderes de Israel, Emirados, Bahrein, Marrocos e Egito na cidade turística de Sharm el-Sheikh, em março. Os EUA também participaram, representados pelo secretário de Estado, Antony Blinken.

“[Nós] concordamos que ‘o que leva cinco anos também pode ser feito em algumas semanas’ e instruímos as equipes para que trabalhassem em alta velocidade. E foi exatamente isso que aconteceu”, escreveu Bennett, no Twitter.

Em comunicado, Dorian Barak, presidente do Conselho de Negócios Emirados-Israel, disse esperar que até mil empresas israelenses estabeleçam escritórios em cidades como Dubai e Abu Dhabi e usem essa presença ali como forma de expandir suas operações para além do Oriente Médio

"Dubai está se transformando rapidamente em um centro para as empresas israelenses que olham para o Sul da Ásia, Oriente Médio e Extremo Oriente como mercados para seus bens e serviços”, declarou Barak.

Política à parte

Anunciado como um dos grandes feitos da diplomacia da Casa Branca no governo de Donald Trump, os Acordos de Abraão serviram como ferramenta para Israel fortalecer laços com outras nações árabes, como os Emirados, Bahrein e, posteriormente, com o Marrocos — também há um processo para a normalização de relações com o Sudão, mas o ritmo das negociações e ações ainda é lento.

Contudo, a iniciativa não ficou imune a críticas: a principal delas é sobre as negociações de paz entre israelenses e palestinos, congeladas de fato desde 2014, e que não foram mencionadas nos acordos firmados entre as nações árabes e Israel. Somado a isso, os governos Trump e, até o momento, Biden também não demonstraram a intenção de atuar diretamente para forçar uma retomada das conversas.

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Nas últimas semanas, houve um aumento no número de incidentes violentos envolvendo palestinos e israelenses, deixando mais de 50 mortos — entre eles, uma jornalista da rede al-Jazeera, Shireen Abu Akleh, morta enquanto cobria uma operação israelense no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, em 11 de maio, em um caso que desatou forte reação internacional.

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No episódio mais recente, no domingo, milhares de judeus ultranacionalistas realizaram uma marcha pela Cidade Antiga de Jerusalém, para celebrar a anexação da parte Leste da cidade, em 1967, um movimento jamais reconhecido pela comunidade internacional. Alguns entraram na Esplanada das Mesquitas, um local que é sagrado para muçulmanos e judeus (que o conhecem como Monte do Templo), e desafiaram uma proibição oficial sobre a realização de orações no local. Houve confronto, e dezenas de palestinos foram detidos.

Logo após as novas cenas de violência, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes disse, em nota, que a Esplanada das Mesquitas foi invadida “por colonos extremistas protegidos pelas forças israelenses” e exigiu que as autoridades de Israel atuem para reduzir as tensões e ajam de forma cautelosa “para evitar mais instabilidade”.

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