Israel autoriza despejo de palestinos na Cisjordânia em meio a tensão crescente

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Suprema Corte de Israel, em decisão considerada histórica, decidiu na noite de quarta (4) que cerca de mil palestinos de uma zona rural da Cisjordânia podem ser retirados do local. O veredito, que abre caminho para a demolição de oito aldeias, coloca fim a um debate judicial que se estendia por duas décadas.

A região de Masafer Yatta, na província de Hebron, no sul da Cisjordânia, foi declarada uma zona de tiro pelo Estado israelense na década de 1980, para ser usada exclusivamente para fins de exercícios militares —a presença de civis ali é proibida. Cidadãos palestinos, no entanto, há muito reivindicam direito sob o território.

Os moradores, que recebem apoio de grupos de direitos humanos israelenses, argumentam que muitas das famílias palestinas residem permanentemente na área de 3.000 hectares desde antes de Israel ocupar a Cisjordânia durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e que, portanto, o despejo constituiria uma violação do direito internacional.

De acordo com as convenções de Genebra relativas ao tratamento humanitário na guerra, é ilegal expropriar terras ocupadas para fins que não beneficiem as pessoas que ali vivem ou transferir à força a população local. A Suprema Corte invalidou o argumento, dizendo que a norma não se aplica a um tribunal doméstico.

A alta corte israelense acatou argumento do Estado, segundo o qual os moradores palestinos mantiveram um modo de vida nômade ao longo das gerações, com base na agricultura e no pastoreio, de modo que não residiram permanentemente na área quando os militares israelenses pela primeira vez a declararam uma zona de manobras militares.

O tribunal, porém, instou as partes a buscarem um acordo, pedindo que os aldeões concordem com as Forças Armadas de Israel sobre ceder partes da terra para o uso militares, reduzindo a zona de plantio.

A Associação pelos Direitos Civis de Israel, que, junto com moradores de Masafer Yatta, apresentou uma petição contra a expulsão, disse que a decisão terá consequências sem precedentes. "O Supremo Tribunal autorizou oficialmente deixar famílias inteiras, com crianças e idosos, sem teto sobre suas cabeças", afirmou a organização em comunicado.

O prefeito de Masafer Yatta, Nidal Abu Younis, acusou o tribunal de ser parte da ocupação israelense. "Nós não vamos sair de nossas casas", disse ele à agência de notícias Reuters.

O episódio, que ocorreu na semana em que o país celebra o 74º aniversário da criação do Estado de Israel, vem em meio a um momento de crescente tensão com os palestinos. E também remorada parte do que colocou combustível no conflito de 11 dias entre Israel e Hamas no primeiro semestre de 2021.

A ameaça de despejo de quatro famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah, à época, contribuiu para o aumento dos conflitos. A disputa central envolvia a retirada dos moradores que, por decisão do tribunal regional de Jerusalém, deviam devolver os terrenos a famílias judias. O caso, à época adiado, segue em avaliação nos tribunais.

ATAQUE DEIXA TRÊS MORTOS EM ISRAEL

Nesta quinta (5), três pessoas morreram e várias ficaram gravemente feridas na cidade israelense de Elad. A polícia disse que, a princípio, considera o episódio um ataque terrorista e que bloqueou as principais estradas enquanto procura os envolvidos.

O prefeito, em entrevista a um canal local, pediu que os residentes não saiam de casa. Segundo relatos de testemunhas aos oficiais, diz o jornal The Israel Times, dois homens teriam realizado o ataque —um portava uma arma de fogo, e o outro, um machado ou uma faca grande.

Em diferentes declarações, o Hamas e a Jihad Islâmica descreveram o episódio como um ato heroico. "Os golpes de nosso povo atingirão os sionistas e os colonos onde quer que eles estejam", escreveu o Hamas. Nenhum dos grupos, porém, reivindicou autoria.​

Mais cedo, policiais israelenses e manifestantes palestinos voltaram a se enfrentar na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, no retorno dos fiéis judeus após a pausa do Ramadã. A política afirmou, em comunicado, que um agente ficou ferido e argumentou que apenas "repeliu desordeiros que atiraram projéteis no local".

A esplanada é o terceiro local sagrado do islã e o local mais sagrado do judaísmo. No final de abril, na mesquita Al-Aqsa, outro confronto havia deixado 42 palestinos feridos e desencadeou represálias.

Desde meados do mês passado, confrontos recorrentes entre policiais israelenses e cidadãos palestinos deixaram quase 300 feridos, segundo contagem da agência AFP, somente no complexo. A maioria é palestina.

Na semana passada, o líder do grupo Hamas na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, ameaçou Israel com disparos de foguetes caso ocorresse o que descreveu como nova agressão na mesquita de Al Aqsa, onde forças israelenses aumentaram a presença de agentes de segurança.

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